Mostra reúne 500 trabalhos de Henfil

A exposição Henfil do Brasil, que começa hoje no CCBB, resgata os anos 70 e 80, quando personagens do cartunista, como Graúna, os fradinhos, Orelhão e Ubaldo, o Paranóico, eram tão populares que se falava deles como se fossem reais. A mostra traz 500 trabalhos dele, quase todos publicados na imprensa nacional e estrangeira, escolhidos no acervo de mais de 15 mil originais guardados por seu filho, Ivan Cosenza de Souza. "Há um público que ouviu falar desses personagens, mas não sabe quem são e desconhece seu criador. Essa exposição vai apresentar Henrique de Souza Filho, o Henfil, a esses e jovens e reavivar a memória de quem é contemporâneo dele", diz a curadora, Júlia Peregrino, que divide a tarefa com o crítico de arte Paulo Sérgio Duarte. Henfil nunca se furtou a polêmicas ou suavizou seu desenho ou texto para evitar complicações com a ditadura militar, que além de exilar o irmão dele, Herbert de Souza, tinha o olho atento para censurar tudo e todos. Se a Graúna e seus companheiros denunciavam o provincianismo da nossa política e de nossa cultura, os fradinhos expunham nosso lado perverso, enquanto os torcedores dos clubes de futebol exacerbavam a paixão nacional. "Ele sabia da importância de seu trabalho e guardava o original. Até então, o desenho publicado era considerado papel velho e só era guardado se algum editor ou redator gostasse", lembra Ivan, que sonha com essa exposição há tempos. Júlia conta que o mais difícil foi selecionar 500 trabalhos. "Em um mês e meio vimos os 15 mil originais e chegamos a 2.000 fundamentais. Aí, a decisão foi no sorteio porque não havia um melhor que o outro", conta ela. "Por falta de tempo, espaço e dinheiro, não foi possível usar imagem em movimento. E Henfil tem trabalhos importantes, como o filme Deu no New York Times ou a TV Homem, quadro do TV Mulher, da Rede Globo, no início dos anos 80. Mas não esgotamos o assunto, só chamamos atenção para a importância de Henfil." Henfil do Brasil - Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro. Rua Primeiro de Março, 66, Centro, Rio de Janeiro. Informações pelo telefone (21) 3808-2020. Até 26/06

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