Mostra retrata a Espanha do século 18

O pintor Francisco José de Goya yLucientes (1746-1828) é o principal artista da exposição Espanhado Século 18: O Sonho da Razão, que começa na terça-feirapara convidados e na quarta para o público, no Museu Nacionalde Belas Artes (MNBA), do Rio. São 235 peças vindas de 40instituições, para contar como era a vida espanhola nesseperíodo em que o Reino de Castela era governado pelos Bourbons(antepassados do atual rei, Juan Carlos). Há de tapeçarias e quadros a jóias e medalhas,organizados em cinco módulos que levarão o público à réplica doscastelos espanhóis da época. "É o período do iluminismo. Foramcriadas as academias de artes e ciências e as fábricas reais,substituindo os artesãos. O império queria se conhecer porintermédio de expedições às colônias", conta a presidente daassociação Arte Viva, Frances Marinho, encarregada pelo rei JuanCarlos de organizar a exposição. "Há dois anos, ele veio para amostra Esplendores de Espanha e deu a sugestão. Tivemos doisanos para organizá-la." Não foi fácil. Com a curadora espanhola Maria daConcepción García, chegou-se ao formato que mostra a vidaespanhola do século 18. "Cada instituição tinha de aprovar oempréstimo em separado e chegamos a um orçamento de US$ 1milhão", lembra Frances. "Aí veio o 11 de setembro e ninguémmais queria deixar as obras viajarem. Quase desistimos, mas oesforço, que já havia sido grande, não poderia se perder." O Ministério das Relações Exteriores espanhol entrou comUS$ 420 mil e o restante foi obtido no Brasil, pela Lei Rouanet,com três empresas de origem espanhola (CEG, Prosegur e Sepi) eduas brasileiras (Bradesco Seguros e Varig). De Goya serão 11 obras, incluindo a série de gravurasCaprichos. Virão também o quadro El Bebedor e umauto-retrato. "Ele representa o ideal iluminista em que a razãosobrepuja as outras forças. Vamos mostrar também projetos depalácios e jardins, pois eles queriam dominar até a natureza",conta a cenógrafa Daniela Thomas, que assina a ambientação damostra. "É interessante trazer a exposição para o prédio quefoi sede da Academia Brasileira de Belas Artes já que o períodoem foco foi o de criação dessa mentalidade acadêmica." Foi também uma época de estabilidade política. No século18, a Espanha teve cinco reis da dinastia Bourbon, que sesucederam sem conflitos. Isso se refletiu na vida social ecultural, pois a expansão do império durou até a derrota paraNapoleão Bonaparte, já no século 19. Por isso, a primeira sala édedicada à corte e à família real, retratados pelos grandesartistas da época. Essa espécie de globalização aparece emdesenhos de viajantes, artistas e cientistas, pelas colônias enas moedas que eram cunhadas em todo o mundo. A vida social éretratada com jóias e vestidos da época e na reprodução dospalácios espanhóis. "Nessa época, a nobreza construía recintosopulentos em castelos", lembra Daniela Thomas, que recriou umdesses ambientes, a sala de espelhos do Palácio de Aranjuez, numdos núcleos da mostra. Enquanto a Espanha entrava no classicismo, o Brasiliniciava seu Barroco tardio, principalmente em Minas Gerais, noRio de Janeiro e na Bahia. A comparação poderá ser feita nopróprio MNBA, com a mostra da coleção de Roberto Whitaker, nasala do século 19. São 11 peças de Aleijadinho e seis de mestrePirangi, que fizeram uma escala no Rio antes de voltar para SãoPaulo, vindas do Museu Guggenheim, de NY.

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