Mostra recria no Rio a biosfera do Pantanal

O carioca está conhecendo o Pantanal sem sair do Rio. Uma exposição organizada pelo cenógrafo J.C. Serroni, em cartaz até domingo, traz para o Jardim Botânico uma maquete da região considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como patrimônio da humanidade. A reserva da biosfera foi montada na entrada de um dos pontos mais visitados da cidade. O objetivo é despertar o público para a importância da preservação da área, um dos ecossistemas mais diversificados do planeta e também um dos poucos que ainda estão bem preservados."Começamos pelo Rio porque esta cidade foi eleita a campeã de solidariedade em pesquisas feitas recentemente. O caso do Pantanal é de conscientização e ajuda mútua para preservar o que temos de mais valioso", diz o presidente da organização não-governamental Ecologia e Comunicação (Ecom), Ricardo Carvalho, responsável pela mostra. "Hoje, o Pantanal não é importante só para os Estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, mas para todo o Brasil e para o restante do mundo. Precisamos mostrar melhor o que existe lá."Com o título de Pantanal Frente e Verso, a exposição mostra o todo e o detalhe da área, que acaba de ser contemplada com um convênio entre o governo federal e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) que investirá US$ 400 milhões (cerca de R$ 950 milhões) em oito anos para a revitalização da região.Como não é permitido trazer espécimes vivas de animais e vegetais para o Jardim Botânico sem quarentena, J.C. Serroni reproduziu a paisagem pantaneira numa maquete que é vista do alto de uma ponte. Nas paredes desse ambiente, monitores de televisão exibem vídeos em DVD das espécimes que vivem lá."São mais de três horas de imagens feitas por Rosely Galleti, que passou 12 dias viajando e colhendo flagrantes. São pequenos filmes de dez minutos cada um, exibidos em monitores que mostram as diferenças entre os dois Estados do Pantanal, o Mato Grosso do Sul e o Mato Grosso", adianta Carvalho. "Na entrada, cada pessoa recebe também uma folha cenográfica de cambará, típica da região. No fim, escreve uma mensagem na folha e coloca-a na árvore, para mostrar que todos contribuem para a reconstrução do ecossistema."Além dos vídeos, o visitante poderá conhecer, por meio de um CD-ROM, o Programa de Desenvolvimento Sustentável do Pantanal, a fim de acompanhar as ações que devem ter início este ano. Com essa exposição, J.C. Serroni passou pelo Rio em dose tripla. Ele também marca presença no Espaço Cultural do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com a mostra "Por dentro da Cenografia", na qual faz um balanço dessa arte no País e dos seus quase 30 anos de carreira. Também seu trabalho mais recente, Rei Lear, a montagem estrelada por Raul Cortez, encerrou temporada na cidade no mês passado.

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