Mostra reconta história do Grupo Santa Helena

O antigo Palacete Santa Helena era um casarão de arquitetura eclética que reunia, na Praça da Sé da década de 30, uma comunidade também variada. Pelo grande edifício, entre salas de escritório, teatro e ateliês, circulavam artistas e profissionais liberais, entre eles um seleto grupo de pintores formado por Francisco Rebolo Gonsales (1903-1980), Aldo Cláudio Filipe Bonadei (1906-1973), Mário Zanini (1907-1971), Manoel Joaquim Martins (1911-1979), Humberto Rosa (1908-1948), Fúlvio Pennacchi (1905-1992), Clóvis Graciano (1907-1988), Alfredo Rullo Rizzotti (1909-1972) e Alfredo Volpi (1896-1988).O palacete foi demolido em 1971, mas essa confraria de pintores da capital paulista permaneceu na história com o nome do edifício e, a partir desta terça-feira, o Grupo Santa Helena ganha uma exposição na Jo Slaviero Galeria de Arte. Há muito tempo São Paulo não vê uma mostra que apresente, em conjunto, trabalhos do grupo. Apesar de o Santa Helena representar um capítulo importante da história da arte paulista, a mostra mais recente a rever essa produção ocorreu no Rio, no Centro Cultural Banco do Brasil. Por aqui, apenas individuais dos artistas.Boa parte das assinaturas ligadas ao Santa Helena são reconhecidas hoje como expoentes da arte brasileira. Mas naquele tempo, o grupo trabalhava praticamente escondido. Composta na maioria por gente saída das tradições artesanais e decorativas (um velho ganha-pão de artista), a trupe só começou a expor no fim da década de 30. Até então, além da temática social e do espaço físico, uma espécie de vocação marginal os unia.Conhecidos também como pintores suburbanos, os imigrantes europeus, paulistanos e interioranos que formaram o Santa Helena tornaram seus trabalhos oficialmente públicos com a primeira exposição realizada pela Família Artística Paulista, em 1937. De acordo com o crítico Walter Zanini, a união de obras voltadas para o desenho (Pennacchi, Graciano, Martins) com trabalhos voltados para a cor (Volpi, Rosa e Gonsales) marcou, na época, pelo efeito surpresa.Seleção - Na mostra que fica em cartaz até o dia 31, Josilane Slaviero reuniu trabalhos realizados posteriormente àqueles idos, como Marinha com Barcos, tela de Francisco Rebolo Gonzales, de 1974; ou Colheita de Café, 1958, de Clovis Graciano, de quem a galeria também mostra Tocador de Violão. Velas e Mastro, de Alfredo Volpi, e Paisagem Urbana, de Mario Zanini, são outros destaques do recorte. Esse último, aliás, traz uma das temáticas que mais chamaram a atenção do público e da crítica nas primeiras aparições do Grupo Santa Helena. Retratos da industrialização crescente de São Paulo e cenas fabris formam, durante um período, a imagem do trabalho da confraria. Não por acaso, Mário de Andrade, referia-se "à qualidade elevada desses operários qualificados" para falar daqueles artistas , então marginais. Grupo Santa Helena - De 2.ª a 6.ª, das 10h às 20 horas; sábado, até às 18. Jô Slaviero. Al. Gabriel Monteiro da Silva, 2074, tel. 3061-9856. Patrocínio: Hotel Vila Rica e VNC Imóveis.

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