Mostra quer derrubar fronteiras estéticas

A Casa das Rosas inaugura hoje a exposição Cultura Brasileira I, um projeto que pretende discutir e rever alguns conceitos sobre o cenário artístico atual, como o uso de rótulos para a produção de cada artista, a questão da criação de novos museus no País e estabelecer diálogos entre artistas de todas as vertentes - como a arte popular, a nova figuração, a arte conceitual."Essa mostra visa a acabar com os guetos, as denominações das correntes estéticas. É uma indagação", afirma o diretor da Casa das Rosas, José Roberto Aguilar. A mostra também homenageia três pensadores da cultura brasileira: o crítico Mario Pedrosa, o físico Mario Schenberg e o antropólogo e escritor Darcy Ribeiro. O número 1 do título não quer dizer somente que haverá continuação. Segundo Aguilar, o número 1 é para incitar o brasileiro a repensar a identidade da arte brasileira, muitas vezes presa ao que está sendo produzido no exterior. "Há uma tendência em lançar uma corrente artística única e todos seguirem. Os artistas de hoje estão muito passivos. Por isso, esse nome é uma provocação."Com curadoria de Roberto Rugiero, Mônica Filgueiras, Paula Braga e do próprio Aguilar, Cultura Brasileira I reúne obras de Afrânio Pessoa, Antônio Henrique Amaral, Beatriz Milhazes, Delson Uchoa, Dora Longo Bahia, Siron Franco, Rubem Grilo, Léon Ferrari, Emanoel Araújo, Tomoshigue Kusuno, Ranchinho, Nilson Pimenta, Willi de Carvalho e Leda Catunda.Para estabelecer um diálogo, foram colocados dois artistas com trabalhos de diferentes vertentes em cada uma das 11 salas da Casa das Rosas. Além de artes plásticas, Cultura Brasileira I também conta com uma mostra de videoarte. São 34 vídeos produzidos entre a década de 70 e os dias atuais, escolhidos por Christine Mello e Lucila Meirelles. Entre os videoartistas estão Walter Silveira, Betty Leirner, Marcelo Masagão, Arnaldo Antunes e Tadeu Jungle. A videoperformance O Brasileiro É Feliz Porque É Selvagem, do Grupo Espaço Coringa, será apresentado às 20 horas, na abertura da exposição. "O vídeo é uma linguagem muito esquecida nas mostras principais", ressalta o diretor.Outra questão levantada é a criação de novos museus. Para isso, os arquitetos Marcelo Ferraz, Ciro Pirondi e Haron Cohen foram convidados para idealizar três maquetes. "A Mostra dos 500 Anos despertou diversos interesses na população, como pela arte do inconsciente, a arte indígena. O Emanoel Araújo já sugeriu à Secretaria do Estado da Cultura de fazer um Museu de Arte Popular, e isso é ótimo. Mas por que não se fazer um Museu de Antropologia como o Goeldi (Belém do Pará)?", indaga Aguilar. "Queremos chamar a atenção para uma vertente de arte mais brasileira do que globalizada." Os projetos de museus também ficarão expostos no local.Debates - Durante todo o período de Cultura Brasileira I serão promovidos quatro dias de debates, que ocorrerão no próximo mês. No dia 16, o tema será Mercantilismo, Arte e Globalização. No dia 17, Nacionalismo e Nacionalidade. No dia 18, Produção Cultural e a Instituição, e Cultura em Trânsito (sobre videoarte) no dia 19. Também durante todo o período da exposição será exibido no saguão da Casa das Rosas um vídeo sobre os três pensadores homenageados. Cultura Brasileira I. De terça a domingo, das 12 às 18 horas. Casa das Rosas. Avenida Paulista, 37, tel. 251-5271. Até 11/11. Abertura hoje, às 20 horas. Patrocínio Porto Seguro.

Agencia Estado,

20 de setembro de 2001 | 13h20

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