Mostra propõe passeio pela escultura do século 20

Dando continuidade ao projeto deparceria entre o Museu de Arte Contemporânea (MAC) de São Pauloe o Sesi, que leva à Avenida Paulista uma série de exposiçõesreunindo o melhor desse rico acervo, será aberta amanhã aopúblico, na galeria situada no prédio da Fiesp, a exposiçãoCaminhos da Forma, um passeio pela escultura brasileira einternacional do século 20.Com curadoria de Kátia Canton - que também desenvolveuAuto-Retratos, a mostra anteriormente exibida no mesmoespaço e que teve visitação recorde do público escolar -, essaexposição não pretende resumir os caminhos da produçãotridimensional do século 20, mas mostrar caminhos e escolhasfeitas pelos artistas ao longo do período enfocado. SegundoKátia, as difíceis opções que teve de fazer entre as quase 3 milesculturas pertencentes ao acervo do MAC, assim como o conceitoda exposição, foram determinados pelas próprias obras.A abordagem adotada não foi geográfica nem temática emuito menos cronológica. O espaço da galeria foi transformadonuma espécie de jardim de inverno - termo usado pela curadorapara definir o espaço amplo, sem divisórias, em que as peças sejustapõem, fazendo com que o olhar do público sempre estejacontaminado - e subdividido em dois núcleos centrais: A Dançada Forma e Histórias da Forma.Não se trata de duas linhas opostas e muito menosreducionistas, que pretendem abarcar toda a história daescultura do século 20. Até porque, se pensarmos em termoscronológicos, a mostra começa com o futurismo e tem uma presençaimportante da produção contemporânea - reflexo do interesse dacuradora pelas pesquisas artísticas mais recentes.Assim, o lado esquerdo do espaço é ocupado por obras quetêm relação com a questão do movimento, um dos temas centrais daescultura. "No núcleo da Dança temos as obras que sematerializam no tridimensional, buscando o movimento", explicaKátia. Já no segmento das Histórias (que ocupa o lado direito dasala e acaba tendo uma área um pouco maior, não tanto por reunirum número maior de trabalhos, mas por estas serem maisvolumosas), vemos uma série de comentários sobre o mundo."Mesmo quando essas obras são abstratas, há um título que lhesdá algum sentido ou uma materialidade que procura dar algumsentido à vida", diz a curadora.Cada um desses núcleos é aberto com obras emblemáticas,assinadas pelo futurista italiano Umberto Boccioni - um dosdestaques internacionais do acervo do MAC - e por VictorBrecheret. Enquanto Desenvolvimento de uma Garrafa no Espaço eFormas Únicas da Continuidade, de Boccioni, simbolizam atentativa de dar movimento e ritmo à forma fixa e imutável daescultura, as obras de Brecheret abrem um núcleo de trabalhosque falam da vida, da natureza; são uma reflexão artística epoética sobre a realidade.Os dois caminhos explorados pela curadoria não sãoopostos nem pretendem exaurir os vários rumos tomados pela artetridimensional no século 20. Os encontros são muitos, como faz questão de demonstrara montagem da exposição que coloca, na interseção entre os doisnúcleos, alguns trabalhos que pertencem aos dois mundosabordados. A obra síntese, a peça DoremifasolasiDore, deNelson Leirner, é a única peça de parede de toda a mostra.Paralelamente a essas duas linhas mestras, a exposiçãoestá cheia de pequenos núcleos, com temas mais específicos, queprometem atrair o interesse do espectador. Entre eles temos umconjunto de móbiles, que contrapõe a leveza lúdica de duas peçasde Calder (que estão entre os destaques da coleção do museu) comum trabalho de Carmela Gross, que lembra uma cortina de pedras eque nunca havia sido exposto pelo MAC desde sua aquisição.Há também um conjunto curioso de objetos que lidam com aidéia de receptáculo, como a mala grafitada de José Carratu ouuma assemblage de Farnese de Andrade; ou então um núcleo deanimais e outro de elementos de paisagem, que prometem atrairbastante o interesse do público mais jovem. "Esse é um dosmomentos lúdicos da exposição, que permite comparar asdiferentes maneiras de lidar com o mesmo tema", explica KátiaCanton.Todos os trabalhos reunidos na Galeria do Sesi pertencemà coleção do MAC, com exceção de duas peças bastante atuais, queo museu tem interesse de incluir em seu acervo, assinadas porSérgio Romagnolo e Paulo Climachauska. O primeiro, Menina comCalça de Boca de Sino, pertence à série de esculturas que oartista apresentou no ano passado e que retratam suas filhas. Jáa peça de Climachauska - uma mesa absolutamente comum, que temcomo única intervenção uma conta simples de subtração gravada emseu tampo.Fazendo parte da série de trabalhos feitos porClimachauska, que associa a redução matemática que tende sempreao zero e a linguagem artística, essa obra acaba por servir demetáfora sobre a tentativa de "realizar anotações que buscamatribuir sentidos, calcular possibilidades e, assim, controlar avida", afirma a curadora.Obra em contexto - Como já se tornou praxe nasexposições do MAC, a mostra Caminhos da Forma vemacompanhada de uma pequenha inserção intitulada Obra emContexto, que põe em relevo a pesquisa de um determinadoartista contemplado pelo acervo. Desta vez, o tema abordadoserão os objetos políticos de Sonia von Brusky, a artista quesoube combinar militância política contra a ditadura militar ediscurso artístico, criando objetos que denunciam questões comoa censura, o olhar persecutório da repressão ou a dominaçãoimperialista, como vemos em Bebês Brasileiros MamamCoca-Cola.Caminhos da Forma. De terça a sábado, das 10 às 20horas; domingo, das 10 às 19 horas. Galeria de Arte do Sesi.Avenida Paulista, 1.313, tel. 248-3639. Até 28/10.

Agencia Estado,

20 de agosto de 2001 | 17h13

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