Mostra paralela exibe 129 peças em Curitiba

São 129 peças que participam do Fringe, a mostra paralela do Festival de Teatro de Curitiba. Chega a ser espantoso, e comovente, o esforço de dezenas de artistas, na grande maioria jovens, para apresentar seus espetáculos num país onde essa arte tão pouco apoio recebe. Mas, se por um lado, o Fringe prova quanto o palco ainda atrai como veículo para canalizar inquietações, por outro, revela a falta de domínio dos instrumentos dessa expressão artística e a necessidade de investir em formação. Os atores da Companhia de Palco e Cia. enfrentaram 19 horas de ônibus, de Cachoeiro de Itapemirim (ES) até Curitiba, para mostrar no Fringe o espetáculo juvenil Meu Primeiro quase Beijo. Parecia ter valido a pena. Além do bom mote, o elenco tinha a mesma idade da platéia, o que propiciou visível empatia. Trunfos jogados fora pelo texto mais apropriado a uma sala de aula do que ao palco. Em vez de criar uma situação dramática, por exemplo, para falar da importância do uso de preservativos, alguém fofoca com alguém sobre uma tal garota que ficou grávida. A partir daí começa um discurso constrangedor e didático sobre o tema. A estrutura se repete ao longo do espetáculo. Os gestos, as marcações em cena, tudo aponta para uma construção na qual sobra vigor, mas falta elaboração. Diante desse quadro, torna-se um grande prazer ver a montagem de O Círculo de Giz Caucasiano, de Bertolt Brecht, dirigida por Marcelo Lazzaratto com um grande elenco de jovens estudantes da Unicamp. Sem ser perfeita, o prólogo se alonga mais que o necessário, traz personagens bem desenhados, soluções cênicas criativas e, sobretudo, uma história narrada com clareza, precisão e entendimento do que se diz.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.