Mostra no Rio reúne o melhor da era JK

A herança de JK nas artes plásticas é tema da exposição aberta na quinta-feira no Museu Nacional de Belas Artes, com 40 obras de Cândido Portinari, Bruno Giorgi, Oscar Niemeyer, Tomás Santa Rosa, Alberto Guignard e outros artistas que ficaram famosos dos anos 40 até os 50, quando Juscelino Kubitscheck era presidente do Brasil e o País acreditava que o futuro glorioso que lhe fora prometido havia chegado. Apesar de se associar o período ao Cinema Novo e à bossa nova, sua importância nas artes visuais não é menor."JK não foi um mecenas, mas um empreendedor, pois construía muito e chamava artistas a participarem de suas obras", avalia o curador da mostra, o crítico Marcos Lontra. "Por isso, dividimos a exposição em duas partes, uma de seu período mineiro, quando ele constrói a Pampulha e leva a arte moderna para fora do eixo Rio-São Paulo, e outra de seu período como presidente, em que o destaque vai para a construção de Brasília."Se a Novacap tornou JK mundialmente conhecido, a semente foi plantada ainda em Belo Horizonte, nos anos 40, quando era prefeito da cidade e depois governador de Minas Gerais. "Ele promoveu o 1.º Salão de Arte Moderna na cidade, um escândalo. Chegaram a rasgar um quadro de Portinari, O Galo, que estará na mostra, e outro de Tomás Santa Rosa", conta Lontra. "Em vez de desanimar, JK chamou o pintor Alberto Guignard para dirigir a escola de arte de Belo Horizonte. Guignard era pouco conhecido e pôde desenvolver seu trabalho sem pressões econômicas e influenciar uma geração de artistas mineiros, como Maria Helena Andrés, Aníbal de Castro e outros, cujas obras estão na mostra."Ainda nos anos 40, a Pampulha, um projeto urbanístico que previa uma igreja modernista, uma lagoa e uma série de atividades que fariam Belo Horizonte crescer para aqueles lados, começou a parceria entre Niemeyer e Juscelino, cujo ápice seria a construção de Brasília. "Esse foi o melhor exemplo do entendimento entre a arte e o poder público", comenta o curador. "O então governador e depois presidente não se ateve à construção de grandes prédios, fez deles monumentos artísticos. E Niemeyer sempre incluía em seus projetos a participação de artistas plásticos. Na Pampulha foi o Portinari, mas na maioria das vezes, Athos Bulcão criou painéis para seus prédios em Brasília."A mostra traz também maquetes e projetos de Niemeyer, Lúcio Costa e Burle Marx para Brasília, que Lontra considera uma obra de cariocas. "Apesar de só o primeiro ter nascido no Rio, eles se fizeram artistas aqui e levaram para lá seus conceitos", diz Lontra. "A principal contribuição de Juscelino para as artes brasileiras, além de criar condições para seu desenvolvimento, foi integrá-la às grandes obras do País. Gosto de lembrar a sorte de Brasília ter sido obra dele. Já pensou se os militares que lhe seguiram tivessem levado para o Planalto Central a arquitetura que construíram nos anos 70 e 80?"

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