Mostra no Masp recria a Paris de Walter Benjamin

Exposição, aberta no sábado, sugere um passeio pela arte na cidade das galerias, analisada pelo filósofo berlinense

Antonio Gonçalves Filho,

08 de dezembro de 2013 | 19h37

Aberta no sábado no Museu de Arte de São Paulo (Masp), a mostra Passagens por Paris - Arte Moderna na Capital do Século 19 foi inspirada num ensaio do filósofo berlinense Walter Benjamin sobre a cidade francesa. Nele, Benjamin fala das transformações de Paris no fim do século 19 e analisa como a cultura local foi forjada por meio das galerias que cortam a cidade, ligando ruas e aproximando flâneurs aos mais variados tipos de comércio e pessoas. A exposição interage com outra mostra em cartaz no museu (A Arte do Detalhe) e, a exemplo desta, reúne obras do acervo, algumas há tempos distantes dos olhos do público - entre os vários motivos, pela constante solicitação de empréstimo de museus estrangeiros.

A exposição cobre um período de quase um século e não se restringe a escolas. Há desde uma tela do impressionista Renoir, pintada em 1866, a um pastel do cubista Picasso, de 1948, passando por Manet, Degas, Cézanne, Toulouse-Lautrec e Modigliani. Os artistas incluídos produziram e viveram em Paris, evidenciando essa relação amorosa com a cidade, caso de Utrillo, que pintou paisagens de Montmartre, eleitas como cartões-postais pelos turistas, e de Toulouse-Lautrec, embaixador da vida noturna parisiense.

Utrillo. Paisagem de Montmartre em 1934

Paris representou para os artistas da virada do século passado mais que uma cidade: foi um lugar de livre expressão. Capital cultural da Europa, ela atraiu espanhóis como Picasso, holandeses como Van Gogh e italianos como Modigliani - alguns com mais, outros com menos sorte. Foi, como observou o curador Teixeira Coelho, a única cidade europeia a associar seu nome a um grupo heterogêneo que produziu a Escola de Paris, ativa no entreguerras - formada tanto por franceses (Matisse, Bonnard) como estrangeiros (Chagall, entre eles).

A exposição é especialmente indicada aos frequentadores do Masp que desejam matar saudades de obras icônicas do acervo, entre elas as telas O Torso de Gesso (1919), de Matisse, Madame Cézanne em Vermelho (1890/4), de Cézanne, e o Retrato de Suzanne Bloch (1904), de Picasso.

Entre os menos lembrados está um dos precursores da pintura impressionista, Adolphe Monticelli (1826-1866), nascido em Marselha, mas parisiense por opção. Ele começou copiando os clássicos do Louvre e acabou influenciando Cézanne e Van Gogh, fazendo parte da coleção de Oscar Wilde. Dele pode ser vista uma paisagem marítima de sua terra natal, de 1880. 

PASSAGENS POR PARIS

Masp. Av. Paulista, 1.578, tel. 3251-5644. Ter./dom., 10h às 18h. Qui., até 20h. Ingressos: R$ 15 (ter., grátis)

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