Mostra na Pinacoteca reúne mais de 70 obras de Taunay

'Nicolas-Antoine Taunay no Brasil - Uma Leitura dos Trópicos' promove encontro entre arte e história

Maria Hirszman, Especial para o Estado,

18 de julho de 2008 | 17h19

Em 1816, quando embarcou para o Brasil com o grupo que posteriormente viria a ser chamado de Missão Francesa, Nicolas-Antoine Taunay (1755-1830) já tinha 60 anos e trazia na bagagem uma sólida carreira na disputada cena neoclássica européia. Difícil saber o que realmente motivou a decisão de passar um tempo nos trópicos; se a necessidade de um refúgio seguro para escapar de eventuais perseguições após a queda de Napoleão ou o alegado anseio por empreender uma viagem que fosse "útil às artes", indo para um lugar cuja natureza o inspiraria, como diz em uma de suas cartas. Uma coisa é certa: os efeitos de sua estadia, mesmo que restrita a seis anos, foram profundos, como se pode ver na mostra Nicolas-Antoine Taunay no Brasil - Uma Leitura dos Trópicos, que será inaugurada neste sábado, 19, na Pinacoteca do Estado. Veja também:Galeria com fotos da exposição na Pinacoteca   Com mais de 70 obras do pintor francês, a exposição promove interessante encontro entre arte e história. Evidencia o papel de destaque desempenhado pelo artista na introdução do repertório neoclássico e formação de uma tradição de pintura de paisagem no País, e busca estabelecer os nexos entre a produção do artista e o seu tempo. Com enorme talento de miniaturista e respeito às normas de composição em voga em sua época, Taunay inspira-se em modelos clássicos, explorando os temas arcádicos e mitológicos, as festas galantes e as cenas pastoris. Mas deixa também pistas que nos permitem compreender melhor as tensões, esperanças e frustrações de um republicano moderado em momentos cruciais como o da Revolução Francesa e do império napoleônico, destacando com freqüência o aspecto humano e certo fascínio pela natureza por trás desses momentos épicos. No caso do Brasil, além da paisagem inebriante, da luz tão exageradamente forte, que ele reclama ter dificuldade de pintar, e da impossibilidade de tornar-se pintor da corte como almejava, Taunay se depara com a escravidão, estabelecendo uma relação tensa e conflitiva com ela. Não escamoteia a questão, nem tampouco a registra de maneira mais sistemática como faz seu conterrâneo Jean-Baptiste Debret. "Ele faz uma crítica reiterada à escravidão nos detalhes", sintetiza a curadora Lilia Moritz Schwarcz.

Tudo o que sabemos sobre:
TaunayPinacoteca do Estado

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.