Mostra na Bahia reúne obras de Frans Krajcberg

Prestes a completar 90 anos (no dia 12), o artista-ativista ambiental nascido na Polônia, naturalizado brasileiro e radicado na Bahia, Frans Krajcberg ouve com dificuldade, move-se e fala vagarosamente. Não perde, porém, o raciocínio rápido nos ataques contra o que considera errado no planeta. Seus alvos são a própria sociedade, os chamados formadores de opinião e, até, seus colegas. "Ninguém fala nada sobre a destruição da natureza - e dos povos da natureza - porque ninguém conhece essa realidade nem quer conhecer", reclama.

AE, Agência Estado

07 Abril 2011 | 10h25

É com essa preocupação que Krajcberg montou, ao longo de quase cinco décadas, seu trabalho. São esculturas, fotografias, pinturas, gravuras e filmes que usam a natureza morta de troncos e raízes queimados em áreas de devastação da Amazônia e do Pantanal para, em imagens de muita força, tentar despertar uma nova relação do espectador com o tema preservação ambiental. No momento, está em construção o Museu Ecológico Frans Krajcberg, um projeto de cinco pavilhões para mostrar a sua trajetória.

Hoje, o artista ganha mais um espaço para exercer sua crítica em forma de arte. A exposição "Grito! Ano Mundial da Árvore" reúne 13 esculturas, 8 relevos e 16 fotografias e todas as obras têm como base árvores consumidas pelo fogo. Para marcar o início da mostra, Krajcberg plantou uma muda de pau-brasil no terreno do Palacete das Artes Rodin Bahia.

"Flor do Mangue", uma de suas esculturas mais conhecidas, de 1965, recebe os visitantes, ainda do lado de fora da Sala Contemporânea do palacete, onde a mostra será realizada até 5 de junho. A obra, de 5 m de altura e diâmetro de entre 8 e 12 m, foi feita apenas um ano depois de o artista começar a usar restos de árvores em suas obras. E ajudou a definir seu estilo e os rumos de sua produção até hoje.

Além da exposição, a semana também marca a estreia do documentário "O Grito Krajcberg", produção independente da jornalista baiana Renata Rocha, de 29 anos. A obra é baseada em três anos de acompanhamento dos trabalhos do artista e de entrevistas dele e de alguns amigos, como a atriz Christiane Torloni e o artista plástico baiano Emanoel Araújo. A narração é feita pela cantora Maria Bethânia. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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