Mostra itinirante sobre Henri Rousseau na National Gallery

As selvas tropicais de Henri Rousseau já estão em Washington. A National Gallery of Art apresenta, a partir de domingo, na capital, a exposição mais importante já vista nos Estados Unidos sobre o poliédrico artista francês do fim do século passado (1844-1910). A retrospectiva é uma oportunidade para explorar os 20 anos de trabalho do artista autodidata mediante uma coleção de 100 quadros a óleo, entre eles o famoso quarteto Guerra, O Sonho, Cigana Adormecida e A Encantadora de Serpentes expostos no East Building. Henri Russeau, considerado um "outsider" do mundo artístico, também chamado de "Le Douanier" (O Aduaneiro), dedicou-se integralmente à pintura só depois de se aposentar dos escritórios alfandegários de Paris onde trabalhou por muitos anos. Para arredondar a pensão, Rousseau ensinava música e fazia o músico ambulante. O artista "naïf", precursor do primitivismo, retratou desde as "selvas" trazidas pela industrialização nas paisagens urbanas parisienses (inspirando a metafísica tardia de De Chirico) aos rostos femininos (exaltados posteriormente no cubismo do amigo Picasso), e às enigmáticas selvas tropicais que serão os locais de estadia de Paul Gaughin. As selvas oníricas, animadas por tigres prontos para atacar, macacos despeitosos, mulheres encantadoras e nativos, representa o alegórico e provocante imaginário do colonialismo francês triunfante. Rousseau, que nunca visitou uma floresta, sempre se inspirou na vegetação e nos animais do Jardin des Plates de Paris. Os curadores da retrospectiva são Frances Morris da Tate Modern, Cristopher Green do Courtauld Institute of Art de Londres, e Claire Freches-Thory do Museu d´Orseay de Paris. A mostra, que a partir do Tate Modern de Londres, continuou a sua turnê internacional nas galerias de Grand Palais de Paris até 16 de junho, chega agora na National Gallery of Art de Washington, onde permanecerá até 15 de outubro.

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