Mostra Internacional de Música agita Olinda

Violoncelista pernambucano Antonio Meneses e da pianista goiana Celina Szrvinsk abrem a programação da 4ª edição

Livia Deodato

07 de setembro de 2007 | 06h52

Seiscentas pessoas se emocionaram com o concerto do violoncelista pernambucano Antonio Meneses e da pianista goiana Celina Szrvinsk nesta quinta-feira dentro da Igreja da Sé, o ponto mais alto da encantadora cidade de Olinda, em Pernambuco. Os músicos foram responsáveis pela noite de abertura dos concertos da 4.ª edição da Mostra Internacional de Música em Olinda, a MIMO, que vai até domingo e ainda contará com a presença de Egberto Gismonti e Naná Vasconcelos hoje (6), João Donato e Paulo Moura no sábado e Hamilton de Holanda e Yamandú Costa no domingo, entre tantas outras atrações de peso.  As Bachianas Brasileiras n° 2 e n° 5, de Heitor Villa-Lobos, foram as primeiras obras executadas por Meneses e Celina na apresentação de ontem, que teve início pouco depois das 20h30, o horário marcado. Escrita para orquestra de câmara, a de n° 2, composta pelos movimentos Prelúdio ( O Canto do Capadócio), Ária (O Canto da Nossa Terra), Dança (Lembrança do Sertão) e Tocata (O Trenzinho Caipira), contou com uma breve, porém muito elucidativa e bem-humorada, explicação de Meneses. "A Tocata descreve uma viagem de trem feita durante a juventude de Villa-Lobos. Vocês poderão ouvir as curvas e os freios desse trem. Espero que vocês tenham prazer em ouvir tudo isso." E poderia ser diferente? O talento e a técnica dos músicos aliada à escolha primorosa do repertório não deixaram crianças, jovens e idosos, de diferentes classes sociais, desgrudarem os olhos, os ouvidos e a alma desse concerto.  A apresentação seguiu-se com Toada, música composta pelo organista e cravista mineiro Calimerio Soares especialmente para ao duo. De fortes contrastes, a peça foi construída em forma aproximada de ária (A-B-A, sendo A movimentos mais lentos e B mais desenvolvido). "Tenho a impressão que Calimerio se inspirou um pouquinho em Bach para escrever Toada", disse Meneses ao público, antes de exibir seu virtuosismo no cello. A Sonata n° 1, de Camargo Guarnieri, três peças para violoncelo e piano em mi bemol menor, lá menor e dó sustenido menor da francesa Nadia Boulanger, e a Sonata n° 3 do tcheco Bohuslav Martinu completaram a rica escolha de obras que só deixou a Igreja da Sé ainda mais cheia de vida. Por coincidência, três dos compositores selecionados para integrar o repertório do duo são 'aniversariantes', além do próprio Meneses, que completou 50 anos no último dia 23: há 120 anos nascia Villa-Lobos e Nadia Boulanger, e há 100, Guarnieri.  Os calorosos aplausos do público fizeram Meneses e Celina voltarem para mais dois bis. Executaram a sinuosa Dança Espanhola, de Joacquin Nin, e O Canto do Cisne Negro, de Villa-Lobos, aquecendo a noite que começou chuvosa e terminou cheia de estrelas.  No Espaço Petrobras MIMO, ponto de encontro entre músicos e público, instalado no Mercado da Ribeira, o gaitista José Staneck e o violonista Caio Cezar receberam diversos músicos amigos, entre o violoncelista americano Eugene Friesen (vencedor de dois Grammy, em 1994 e 1995) e a violinista Ana de Oliveira, para animar o fim da tarde de ontem e aquecer os motores do festival em grande estilo. Começaram a apresentação ao som de Choro Negro, de Paulinho da Viola e Fernando Costa, passando por Ponteio, de Edu Lobo, Libertango, de Astor Piazzolla, Lamento e Rosa, de Pixinguinha e Noites Cariocas , de Jacob do Bandolim. Quando o bandolinista Marco Cesar subiu ao palco ao lado da dupla para puxar Minha Ciranda, de Capiba, uma orquestra de frevo passava pela rua em frente ao espaço. "Isso só poderia acontecer em Olinda mesmo!"  A mostra, que tem como maior patrocinadora a Petrobras e teve investimento de R$ 1 milhão, ainda conta com a Etapa Educativa, programa destinado à troca de experiências entre os músicos convidados e alunos interessados no aperfeiçoamento das técnicas em cordas dedilhadas e friccionadas, madeiras e metais. Nesta sexta-feira, às 11 horas, um concerto resultante desse trabalho será apresentado no Convento de São Francisco. "Essa pode ser a estréia de uma orquestra brasileira permanente de cordas dedilhadas, composta por instrumentos populares como cavaquinho, bandolim e viola, e que prestigiará prioritariamente nossos compositores contemporâneos", disse o músico Caio Cezar, um dos coordenadores da Etapa Educativa e fundador do projeto Acariocamerata, no Rio.  Os ingressos para todas 21 atrações da MIMO são gratuitas. A programação completa pode ser acessada no site www.mimo.art.br .

Tudo o que sabemos sobre:
Olinda

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.