Mostra homenageia indicados ao Prêmio Estadão

Na quarta-feira, dia 11 de julho, quando os vencedores da atual edição do Prêmio Multicultural 2001 Estadão Cultura subirem ao palco montado no Sesc Pompéia para receberem o troféu realizado especialmente pelo artista gaúcho Félix Bressan, outros 14 artistas ou grupos de criação estarão comemorando a inauguração de mais uma mostra coletiva em torno da premiação. Com a exposição Território Expandido 3, desta vez dedicada à arte eletrônica, confirma-se uma tradição iniciada em 1999: ampliar o alcance da iniciativa do Prêmio Cultural para além das personalidades indicadas, homenageando-as com a criação de um espaço de reflexão e divulgação da arte.O tema geral da exposição - uma realização do Sesc e uma iniciativa do Prêmio Multicultural Estadão - continua sendo o mesmo, a expansão do território da arte para além das tradicionais formas de expressão, como a pintura e a escultura, inspirado em tese da pesquisadora americana Roselind Krauss. Na primeira das mostras, o tema foi a escultura, ou melhor, a obra tridimensional. Em 2000, os artistas foram convidados a expressar sua homenagem aos 14 indicados para o Prêmio (quatro deles na categoria fomentador cultural) utilizando a fotografia como meio de expressão. Nesta terceira edição, seguindo um desejo expresso pela curadoria de explorar as mídias mais de ponta, que vêm sendo utilizadas com recorrência pelos artistas contemporâneos, o foco será a arte eletrônica que, segundo a curadora Angélica de Moraes, seria "o território mais expandido da arte"."Ao substituir moléculas por bites, a arte eletrônica despiu o peso de estar no mundo. As imagens que produz são feitas de um tecido de energia e estímulos nervosos e podem alcançar os mais diversos pontos do planeta, ignorando limites ou alfândegas", explica. Paralelamente à questão do suporte, surge o tema da humanidade, da relação do homem com a arte e a ciência, de seu espaço no mundo.A escolha dos artistas também atende a um evidente desejo de diversidade, contemplando artistas de diferentes origens, gerações e correntes de expressão. Os participantes da mostra, com seus respectivos homenageados, são: Alexander Pilis (Milton Hatoum); Ana Miguel (Hermano Vianna); Carlos Fadon Vicente (Sábato Magaldi); Grupo Infobodies (Árido Movie); Ronaldo Kiel (Regina Meyer); José Wagner Garcia (Carlos Rocha); Maurício Dias e Walter Riedweg; Elyeser Szturm (Gilberto Chateaubriand); Jailton Moreira (Amir Haddad); Simone Michelin (Lia Rodrigues); Jurandir Müller e Kiko Goifman (João Moreira Salles); Walter Silveira (Tom Zé); Patrício Farias (Mãe Stella de Oxóssi); e Eder Santos (Tânia Rösing).Afinidades - Uma diferença marcante entre esta edição da exposição e as anteriores é que desta vez os trabalhos não foram criados especialmente para o evento, mas derivam de pesquisas já iniciadas pelos artistas convidados. Isso se deve ao elevado custo e o longo tempo de produção demandado por um trabalho de videoarte. As aproximações entre os diferentes trabalhos e os homenageados decorrem de afinidades temáticas ou de conteúdo identificadas pela curadoria, em diálogo com os artistas."No caso do Ronaldo Kiel, por exemplo, isso fica evidente. Quando vi o trabalho dele, lembrei-me imediatamente da Regina Meyer. Disse para mim mesma: isso é arquitetura", conta Angélica. Segundo ela, a instalação do artista brasileiro radicado em Nova York faz referência às construções vertiginosas que vemos nas gravuras de Piranesi e que posteriormente são retomadas por Escher, nas quais não sabemos o que está em cima e o que está embaixo.Outra relação quase natural foi estabelecida entre a obra do brasileiro Maurício Dias e do suíço Walter Riedweg, em homenagem a Drauzio Varella, já que ambos lidam com a questão da privação de liberdade e as condições humanas numa penitenciária - Varella em Estação Carandiru e a dupla numa intervenção realizada em duas prisões americanas, uma de segurança máxima e a outra para menores infratores.Às vezes a proximidade é mais sutil, como ocorre com a reflexão do chileno Patrício Farias, que lida com a crise e as contradições do catolicismo e Mãe Stella de Oxóssi, indicada como a fomentadora cultural do ano. Também caberá ao espectador encontrar nesse diversificado panorama da produção de videoarte nexos e diálogos entre os trabalhos, comprovando mais uma vez que a arte é evidentemente um espaço de diversas leituras.

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