Mostra fotográfica investiga povo de São Paulo

Em 1998, o Conjunto Cultural da Caixa deu início a um projeto fotográfico destinado a preservar e incentivar a revitalização do centro de São Paulo. Os belos resultados obtidos pelo Caixa & Memória animaram seus organizadores a expandir o raio de ação do projeto. Dessa vontade nasceu o Caixa Populi, cuja terceira etapa será inaugurada amanhã nesta terça-feira, às 19 horas, no Conjunto Cultural da Caixa, com uma exposição que reúne 50 fotografias em preto-e-branco e com lançamento do livro-catálogo com as imagens.Se antes a fervilhante vida do centro da cidade era o foco do projeto, agora as lentes dos fotógrafos foram redirecionadas para as pessoas que compõem esse caldeirão chamado São Paulo.Nordestinos, portugueses, coreanos, indianos, afro-brasileiros e uma infinidade de outras etnias fazem parte desse apanhado sócio-cultural-documental, que tem curadoria do fotógrafo Emídio Luisi.Durante boa parte de sua carreira, Luisi percorreu bairros tradicionais de imigrantes italianos na cidade - trabalho que rendeu o belíssimo livro Ué Paesà, relançado este ano - e, no caminho, descobriu a riqueza da mistura étnica camuflada pelo caos urbano. "O projeto não tem apenas a preocupação de mostrar essas etnias, mas a diversidade que se concentra nos guetos da cidade", explica Luisi.O Caixa Populi foi inicialmente dividido em três etapas: na primeira foram focalizados europeus; na segunda, asiáticos e, nesta última fase, foram fotografadas etnias que formam a base não só da população paulistana como do Brasil, os índios, os negros e os migrantes nordestinos. "As imagens mostram ainda um fenômeno que ocorre com intensidade aqui, que é a formação de tribos, quase sub-etnias, como os adeptos do hip hop, os punks, etc.", conta Luisi.O curador da mostra observa que, durante o trabalho, notou que existem diferenças entre a mistura de povos em São Paulo e em metrópoles onde ocorre fenômeno similar, principalmente Nova York. "Percebi que aqui esse caldeirão convive harmoniosamente, o que não ocorre em Nova York, onde há limites entre certos bairros", analisa Luisi.Desigualdades - Segundo o curador, a idéia do projeto foi partir do centro, "a nascente da cidade, e depois seguir o percurso do rio", expondo os problemas e desigualdades encontradas nesse caminho. "É claro que o projeto não soluciona esses problemas, mas mostra que existem caminhos para culturas diferentes se completarem."Os fotógrafos participantes do projeto foram selecionados durante um workshop realizado pela agência de Luisi, a Fotograma, e dividiram-se por diferentes locais da cidade. A fotógrafa Andréa Zaguini, por exemplo, registrou os habitantes do Morro da Saudade, onde vivem índios guaranis. Já Marise Rangel, ao passar por um Centro de Tradições Nordestinas, conheceu o dono do restaurante local. Este, por sua vez, disse à fotógrafa que conhecia uma irmã de Lampião que vivia em São Paulo. É ela quem aparece numa das imagens expostas no Conjunto Cultural da Caixa.Os profissionais que participaram do Caixa Populi foram orientados pelos editores de fotografia Edu Garcia, do jornal O Estado de São Paulo, e Iara Venanzi, da revista Ícaro, ambos convidados por Luisi. Eles também devem participar da quarta e última etapa do projeto, que será realizada provavelmente em outubro.Caixa Populi - 3.ª Etapa - De segunda a sexta, das 10 às 16 horas. Conjunto Cultural da Caixa. Praça. da Sé, 111, tel. 3107-0498. Até 25/8. Abertura nesta terça-feira (11), às 19 horas.

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