Mostra expõe a festa psicodélica de Sacilotto

E o Brasil redescobriu o veterano Luiz Sacilotto, de 77 anos. Até o ano passado, sua obra passara quase em branco durante meia dúzia de anos, e sua última retrospectiva tinha sido em 1980, no MAM - uma mostra com 130 obras. Do ano passado para cá ele ganhou o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), um livro analítico e uma série de boas exposições. Amanhã, às 20 horas, a Galeria Sylvio Nery (que, por sinal, já havia feito uma mostra de suas telas abstratas mais antigas em 1995) expõe um painel dos desenhos de op art de Sacilotto, feitos entre 1974 e 1982.Artista dos mais singulares, Sacilotto evolui simultaneamente ao desenvolvimento das tecnologias analógicas de grafismo. Seu primeiro emprego, curiosamente, foi na IBM, a primeira empresa de computadores do País. Desenhava letras de alta precisão para os cartões de holerite."Naquela época, não havia fontes tipográficas, era tudo feito à mão", contou o artista recentemente ao Estado. Essa atividade antiga e limítrofe de homem e máquina faz com que o comentário sobre arte e tecnologia de Sacilotto soe como uma festa psicodélica, às vezes. Livre das amarras históricas a Kandinsky e Mondrian, Sacilotto produziu nesse período de oito anos uma série voluptuosa de geometrismos, menos afeita ao rigor do que à brincadeira da forma - embora sempre preciosista, requintada.Sacilotto, pioneiro da arte concreta no País, nos anos 40, foi um dos signatários do manifesto do Grupo Ruptura, em 1952, ao lado de Waldemar Cordeiro, Lothar Charoux, Leopoldo Haar, Kazimir Fejer e Anatol Wladislaw. E foi também uma das atrações da primeira Bienal de São Paulo, em 1951, aos 27 anos. No ano seguinte, foi à Bienal de Veneza representando o Brasil. Já era um artista de ponta do geometrismo abstrato. Ele costuma contar, sempre de maneira divertida, da última vez que fez um trabalho figurativo, em 1950, com sua mulher Helena e um amigo da família como modelos.Indiferente ao prestígio e também às críticas, manteve-se trabalhando febrilmente durante esses anos todos em seu refúgio em Santo André, onde criou os filhos e toda sua obra. A mostra da Galeria Sylvio Nery tem 31 desenhos em preto-e-branco, em guache sobre papel, com toda a gama de efeitos características da chamada optical art. Estão à venda, e custam entre U$ 2,7 mil a US$ 3 mil. O catálogo da mostra traz texto crítico de Angélica de Moraes, crítica de artes visuais do Estado, e apoio cultural do grupo Tejofran.Luiz Sacilotto. De segunda a sexta, das 10 às 19 horas; sábado, das 10 às 13 horas. Galeria Sylvio Nery. Rua Oscar Freire, 164, em São Paulo, tel. (11) 3063-0673. Até 21/7. Abertura amanhã, às 20 horas.

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