Mostra exibe coleção de Marcantônio Vilaça

Não é segredo que Marcantônio Vilaça, morto prematuramente, de enfarte, no dia 1.º de janeiro de 2000, foi um dos mais importantes marchands a atuar no Brasil na última década e muitas vezes lhe é atribuído um papel preponderante no crescente e vigoroso processo de internacionalização vivido pela arte contemporânea brasileira. Mas apenas poucos conheciam seu lado colecionador, iniciado aos 14 anos, quando adquiriu uma gravura de Samico.Como uma espécie de homenagem, a exposição Espelho Cego - que será inaugurada amanhã à noite no Museu de Arte Moderna e que já foi vista no Paço Imperial, no Rio - procura mostrar por meio de mais de uma centena de obras o olhar apaixonado e plural do polêmico marchand. Márcia Fortes, que hoje está à frente da galeria fundada por Vilaça e Carla Camargo em 1992, conta que a idéia de fazer uma exposição a partir do acervo de Marcantônio lhe surgiu logo após saber da morte do amigo. "Foi ele quem me inventou como curadora e eu queria, com essas ferramentas, prestar-lhe uma homenagem", conta ela. O editor Charles Cosac também está preparando um tributo a Vilaça, na forma de um livro que deve ser publicado ainda este ano.Extremamente diversificada, a coleção de Marcantônio Vilaça não é de grandes proporções. Após um cuidadoso levantamento, foram encontradas cerca de 400 obras, nos mais diferentes endereços. "Cheguei a encontrar um trabalho debaixo de um tanque", conta Márcia.Para organizar a exposição (que pode ser um pouco maior no Rio, por razões de espaço), a curadora optou por fazer uma leitura pessoal e poética, fugindo dos tradicionais eixos temáticos, cronológicos ou estilístico. "Procurei fazer um exercício de generosidade do olhar, tentando colocar-me nos tempos acumulados por Marcantônio", explica ela.Dessa forma, foram criados cinco módulos distintos, que têm como "título" frases de autores admirados pelo colecionador, como Guimarães Rosa e Manoel de Barros. Em cada um deles, estão articulados trabalhos de diversos autores, nacionais ou internacionais, das mais diferentes tendências. Evidentemente, como motor propulsor da produção contemporânea, Vilaça privilegiou a produção das décadas de 80 e 90 sem, no entanto, restringir-se aos artistas que representou. Entre os artistas melhor representados estão desde Daniel Senise e Adriana Varejão até Emmanuel Nassar. "Procurei retraçar o inventário de sua paixão", conclui Márcia Fortes.Espelho Cego - Seleções de uma Coleção Contemporânea. De terça, quarta e sexta, das 12 às 18 horas; quinta, das 12 às 22 horas; sábado, domingo e feriado, das 10 às 18 horas. R$ 5,00. MAM. Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n.º, portão 3, tel. (11) 5549-9688. Até 14/10. Abertura quinta, às 19 horas.

Agencia Estado,

22 de agosto de 2001 | 17h31

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