Mostra em SP reúne fotografias de câmeras pinholes

Na contramão das novidades tecnológicas e do universo das câmeras digitais e seus poderosos pixels, alguns fotógrafos ainda preferem algo mais artesanal. É o caso do paulistano Ricardo Hantzschel, 46 anos. Ele é um dos apaixonados pelas câmeras conhecidas como pinholes (na tradução literal: ''buraco pequeno''), que utilizam os princípios básicos de uma câmera escura: uma caixa preta, com um pequeno orifício através do qual é permitida a passagem de luz para a produção da imagem desejada. Para mostrar seu trabalho realizado com o uso de pinholes, Hantzschel inaugura, neste sábado, na Caixa Cultural São Paulo, a exposição "Cidade Múltipla", com treze fotografias produzidas nos últimos dez anos.

AE, Agência Estado

27 de maio de 2010 | 10h37

Vencedor do Prêmio Porto Seguro de Fotografia, em 2003, cujo tema foi São Paulo 450 anos, e com obras no acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo, Ricardo Hantzschel conheceu a técnica de fotografar com pinholes na década de 90. De lá para cá, ele diz que aprendeu a trabalhar com dois elementos: a precariedade e o acaso. "Lido e assumo a precariedade como forma de linguagem. Cada câmera tem uma luz, uma sujeira. Por isso, cada imagem tem um DNA específico. E o acaso me acompanha todas as vezes que chego ao laboratório, pois sempre tenho uma grande surpresa", explica. Para ele, as câmeras digitais pasteurizaram a fotografia, o que torna fundamental a busca por algo diferente. "É como se as câmeras digitais te dissessem: ''Não me atrapalhe Eu sei o que estou fazendo''. O bom fotógrafo é o cara que ''atrapalha'', que não se submete a essa pré-programação", diz.

Dono de trinta câmeras pinholes - todas confeccionadas por ele mesmo -, Ricardo Hantzschel utilizou cinco delas para a produção das imagens que fazem parte da exposição. Segundo ele, todas as câmeras foram construídas pensando nas imagens que elas viriam a captar. "Peguei locais bem conhecidos de São Paulo e referências arquitetônicas famosas para mostrar a metamorfose cotidiana da nossa metrópole", conta. Hantzschel destaca que a foto mais rápida foi feita na Avenida 23 de Maio, produzida em 15 segundos, e a mais demorada levou 72 segundos (1 minuto e 12 segundos) para ser captada, na Praça da Sé. As informações são do Jornal da Tarde.

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