Mostra em SP resgata o melhor da produção nacional

Antônio Brasileiro Jobim forneceu a trilha para a reinauguração do Espaço Unibanco, na Rua Augusta, agora rebatizado com a marca do novo patrocinador - virou Espaço Itaú. Como o filme exibido para convidados foi "O Tom da Luz", segunda parte do díptico de Nelson Pereira dos Santos dedicado ao compositor - após "A Música Segundo Tom Jobim" -, o público só teve de sentar-se nas poltronas e relaxar. O próprio Nelson fez a apresentação e Adhemar de Oliveira disse esperar que o Espaço que agora surge esteja nascendo para ''mais 20 anos''.

AE, Agência Estado

06 de setembro de 2012 | 11h17

Pode-se reclamar - e não é mera questão de gosto - do conceito clean que transforma o acesso às salas numa caverna escura, com predomínio do preto. No caso do Espaço, o pé-direito elevado do hall alivia um pouco a sensação de opressão que se pode ter, por exemplo, no Arteplex, no Shopping Frei Caneca. Feita a ressalva, os primeiros 20 anos dessa história que ajudou a revolucionar a exibição no País estarão sendo lembrados, a partir desta quinta-feira, com uma mostra de 23 filmes brasileiros, todos pertencentes ao período que se iniciou com a chamada ''Retomada'', em meados dos anos 1990. O filme símbolo dessa fase é "Carlota Joaquina, Princesa do Brazil", de Carla Camurati. Como todos os demais, será exibido em película, quase como uma despedida - no momento em que "Totalmente Inocentes" se oferece como marco da nova etapa de projeção exclusivamente digital.

Vale reportar-se ao passado. A insanidade das medidas econômicas adotadas pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello praticamente varreram o cinema brasileiro do mapa. A produção brasileira resumiu-se aos curtas, feitos na cara e na coragem. Foi quando a atriz e diretora Carla Camurati fez seu (anti)épico sobre Carlota Joaquina, a história recontada como chanchada. Não havia sistema de distribuição e os exibidores se haviam esquecido de projetar filmes brasileiros. Carla pegou seu filme debaixo do braço e, num trabalho de formiguinha, como disse, foi de praça em praça, usando seu prestígio de atriz para vender a diretora (e o filme). O resultado é que fez história - "Carlota" ultrapassou 1 milhão de espectadores e provou que o cinema brasileiro era (é) viável.

"Carlota Joaquina" abre nesta quinta a programação e virão a seguir 21 filmes. A soma dá 22 e o 23.º será a cópia restaurada de "Cabra Marcado para Morrer", de Eduardo Coutinho (o único que não pertence à Retomada). "Cabra" é o maior documentário do cinema brasileiro? Ou será "Santiago", de João Moreira Salles, que integra a lista? Carlos Reichenbach, que morreu há pouco, será lembrado por "Alma Corsária" e há também "Madame Satã", "Baile Perfumado", "Cidade de Deus" (claro), "Central do Brasil", "Terra Estrangeira", "Cronicamente Inviável", "Sábado" (de Ugo Giorgetti), "Carandiru", "Amarelo Manga", "Bicho de Sete Cabeças", etc. Bela lista, mas Adhemar e o novo Espaço ficam devendo o maior filme da Retomada - "Cinema, Aspirinas e Urubus", de Marcelo Gomes. Faltou película? As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

PÉROLAS

"Edifício Master" - Apesar da versão restaurada de "Cabra Marcado para Morrer", o melhor Eduardo Coutinho da programação é o documentário sobre moradores de prédio no Rio.

"Bicho de Sete Cabeças" - O longa de Laís Bodanzky que provou que Rodrigo Santoro é um grande ator.

"Sábado" - O minimalismo de Ugo Giorgetti e outro grande papel de Otávio Augusto.

"Santiago" - A busca do tempo perdido na mansão dos Moreira Salles

MOSTRA ESPAÇO ANO 20

Espaço Itaú de Cinema (Rua Augusta, 1.470). Tel. (011) 3288-6780. R$ 14/ R$ 22. Até 13/9.

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