Mostra em SP homenageia Herivelto e Dalva de Oliveira

Herivelto criou clássicos e ao seu lado, a intérprete Dalva de Oliveira brilhou

AE, Agencia Estado

14 de outubro de 2009 | 09h37

Pery Ribeiro mostra fotos da exposição. Foto: JF Diorio/AE

 

SÃO PAULO -A exposição em homenagem a Herivelto Martins e Dalva de Oliveira ainda estava sendo montada quando o cantor Pery Ribeiro chegou na Caixa Cultural, em São Paulo, na última sexta-feira. Filho de um dos casais mais emblemático da música brasileira, que será homenageado por uma série na Globo, ele não se furtou em conferir e corrigir fotos, legendas e informações. "Tem sempre uma coisinha que escapa, mas acho que ainda dá tempo de corrigir. Às vezes é uma data, a autoria de uma foto, uma descrição..."

Com correções cosméticas (nada que maculasse a boa intenção e a relevância da exposição), Pery sentiu-se à vontade para percorrer os retratos de família e evocar suas memórias. "Tem muito da minha história aqui. Muito da história dos meus pais e muito da história do Brasil. Herivelto e Dalva não foram só meus pais. Ele pertencem a esse País inteiro, construíram um cancioneiro inesquecível", declara.

Como compositor, Herivelto criou clássicos como "Ave Maria do Morro", "Cabelos Brancos", "Atiraste Uma Pedra" e muitos outros. Ao seu lado, a intérprete Dalva de Oliveira brilhou. "Minha mãe era uma cantora incrível. Uma profissional exemplar", fala Pery. Em muitas fotos da exposição, o casal aparece sorridente - o que não condiz com as conhecidas histórias sobre o tumultuado relacionamento dos dois.

Dalva e Herivelto se separaram em 1949 - rompimento que foi explorado por diversos compositores da época e rendeu clássicos como "Errei Sim" (Ataulfo Alves), "Tudo Acabado" (J. Piedade/ Oswaldo de Oliveira Martins), "Vingança" (Lupicínio Rodrigues), "Calúnia" (Wilson Batista) e outros. "Na vida pessoal existiam diferenças, mas o que pouca gente sabe é que Dalva era extremamente obediente ao meu pai - no que diz respeito à carreira, é claro. Era meu pai quem decidia que roupa ela deveria usar durante as apresentações, o repertório que seria cantado. Tudo, tudo mesmo era decisão dele. Dalva sempre obedeceu", relata Pery.

A exposição tem o mérito de mostrar a grandeza e a dimensão de Dalva de Oliveira na década de 40. Em algumas fotos ela está, literalmente, sendo carregada pela multidão de fãs. Outras imagens mostram Dalva na Inglaterra (década de 50). Lá, ela apresentou-se na BBC de Londres e foi recebida pela própria Rainha da Inglaterra. Mas boa parte do acervo mostra o período em que Dalva e Herivelto formavam o Trio de Ouro (com a inclusão de Nilo Chagas). Além de Herivelto e Dalva, a exposição traz fotos do próprio Pery. Em uma delas, ele aparece com cinco anos de idade, sentado na frente do Teatro Municipal, no Rio de Janeiro. As informações são do Jornal da Tarde.

As Estrelas Dalva de Oliveira e Herivelto Martins - Caixa Cultural (Praça da Sé, 111). Entrada Gratuita. De terça a domingo (das 9h às 21h). Até 22 de novembro.

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