Nilton Fukuda/AE
Nilton Fukuda/AE

Mostra em São Paulo leva o visitante ao mundo de Jorge Amado

Entre as atrações, nove instalações multimídias transmitem entrevistas e áudios do autor

Maria Fernanda Rodrigues - O Estado de S.Paulo,

16 de abril de 2012 | 15h37

Um mural de 9 m de comprimento por 4 m de altura, com azulejos brancos pintados com frases de Jorge Amado e imagens de objetos encontrados na Casa do Rio Vermelho, recebe o visitante na mostra Jorge Amado e Universal.

A segunda sala é dedicada aos clássicos personagens. Como não daria para nomear todos os mais de mil criados por ele, a exposição apresenta os que têm um DNA que foi emprestado aos outros. Todos os demais são representados por uma instalação com 8 mil fitas vindas da Bahia, como as do Nosso Senhor do Bonfim. Em cada uma delas consta o personagem e o livro em que ele habita. Nove instalações multimídias transmitem entrevistas e áudios.

Saindo do ambiente em que reencontrou Gabriela, Nacib, Tieta, Dona Flor, Vadinho e companheiros, o visitante conhece o lado político de Jorge Amado. Compõem a cenografia mais sóbria dessa sala uma instalação que representa as rotativas da imprensa alternativa em movimento, trechos de obras escritas nesse período de maior engajamento, documentos e imagens – como a foto dele recebendo o Prêmio Stalin da Paz, em 1951, em Moscou, além de cartazes da campanha para deputado pelo PCdoB e a ata de sua eleição.

O ambiente volta a ser colorido na sala dedicada ao sincretismo e à miscigenação. Caixotes fazem lembrar os mercados e feiras da Bahia e são suporte para imagens de santos e orixás. De um lado da parede, placas com os nomes das cores de pele citadas pelos brasileiros em pesquisa. Do outro, as inventadas por Jorge, como a cor de canela de Gabriela.

Das cores do povo à frieza do espaço seguinte. A aposta é na curiosidade do visitante. Há apenas visores e dentro, trechos que mostram o jeitinho brasileiro, a sensualidade, a safadeza.

Até aí as salas eram pequenas e a introdução ao universo de Jorge, em pílulas. No maior dos ambientes da exposição, chamada extraoficialmente de Praça Jorges, há até um mar de dendê. Foram necessárias 1.800 garrafas pet de 2 litros do azeite, em diferentes estados de decantação, para representar, numa grande parede, o mar da Bahia. Na altura dos olhos, frases sobre o mar.

Perto dessa instalação estão outras menores, que comportam 4 sacas de cacau torrado, responsáveis por levar o cheiro do fruto à Estação da Luz. Sobre um banco à frente do mar alaranjado, foram colocados livros lidos por Jorge ao longo de sua vida.

Como nas igrejas, foi montada uma Sala dos Milagres, com 352 fotos e outros objetos. Será possível ver retratos dele com os amigos Fidel Castro, Roman Polansky, Carybé e Pierre Verger; ler cartas enviadas por Carlos Drummond de Andrade e Mario de Andrade ou a enviada a José Saramago; e conferir os carimbos de seus passaportes. Algumas das correspondências ora expostas são do acervo da família do escritor e não estavam à mostra nem na Fundação Casa de Jorge Amado. Mais curiosa, no entanto, é a instalação com as camisas coloridas, sua marca registrada.

Dois vídeos mostram o lado escritor e o lado pessoal do baiano e trazem depoimentos dele e de pessoas próximas. Uma exposição de fotos da Bahia feitas por artistas de lá ajuda a mostrar como está a terra natal do escritor hoje. Textos de Jorge são intercalados com as fotos tiradas por Adenor Gondim, Patrícia Carmo, Roberto Faria, Mario Cravo, entre outros.

É de Gondim, também, a imagem da instalação que encaminha o visitante ao final da mostra. Uma foto de multidão foi filetada e colada em canos de PVC estreitos, permitindo caminhar entre essa multidão. Saindo dali, ele encontra uma vitrine com os originais de seus livros e uma cronologia de vida e obra.

“Todo mundo conhece Jorge a seu tempo e ao seu jeito. O visitante vai chegar de braço dado com o seu Jorge e, se cumprirmos nossa missão, vai sair com muitos outros”, diz a curadora Ana Helena Curti.

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