Mostra em NY revela complexo método criativo de Matisse

Por ele ser um dos maiores maestros da cor, é surpreendente saber que para Henri Matisse (1869-1954) nunca foi fácil pintar. Ele sempre reavaliou e repintou seus quadros, repetindo composições para comparar efeitos, em busca da "pintura real", como explicou numa carta a Amélie, sua mulher. "Matisse: In Search of True Painting", exposição especial que o Metropolitan Museum de NY abre nesta terça-feira, mostra a necessidade dele em progredir, metodicamente, de uma pintura para a outra, criando pares, trios ou séries. Esta maneira de pintar não é exclusiva de Matisse mas, em seu caso, é impressionante. Como sublinha Rebecca Rabinow, organizadora da mostra no Met, o processo de criação não era um meio para ele chegar ao que pretendia, "mas uma dimensão da sua arte tão importante quanto a tela terminada".

AE, Agência Estado

03 de dezembro de 2012 | 11h09

Essa dimensão ficou praticamente desconhecida até dezembro de 1945, quando o pintor apresentou seis dos seus quadros mais recentes na inauguração da Galerie Maeght, em Paris, rodeados por ampliações de fotografias tiradas ao longo da evolução deles sobre a tela. Matisse começou a usar esse método mecânico no início da década de 1930, substituindo os duplos, trios ou séries com que trabalhou por cerca de 20 anos. Os óleos sobre tela "A França" (1939), "O Sonho" (1940) e "Natureza-Morta com Magnólia" (1941) estão em destaque numa sala que recria a exposição na Maeght.

"O Sonho", que ele descreveu como "um anjo adormecido sobre uma superfície violeta - o violeta mais bonito que já vi", foi uma das pinturas mais estimadas por Matisse e ele se recusou a vendê-la até o fim da vida. As fotos feitas entre janeiro e setembro de 1940, enquanto ele trabalhava no quadro, mostram como este foi radicalmente transformado. No início havia plantas, depois uma natureza-morta sobre a mesa; a certa altura, a folhagem ocupou só uma barra no topo e, no fim, os acréscimos desapareceram, ficando apenas o arranjo simplificado de formas e cores em torno do anjo.

As fotos, que até então só eram conhecidas por alguns poucos colecionadores e marchands, dissiparam a noção de que Matisse pintava espontaneamente, comprovando como sua pintura resultava de um processo complexo. "Neste ponto, acho que ele sentiu ter conseguido tudo o que podia na pintura", diz Rebecca. Então ele parou de pintar e foi "desenhar com tesouras", como dizia, dedicando-se aos recortes de papel que produziu nos últimos anos de vida.

As 49 obras que se sucedem em "Matisse: In Search of True Painting", aberta até 17 de março, permitem acompanhar as alternativas que ele buscava para questões de representação, do papel da cor ou sobre o que é uma pintura terminada. Inseguranças, dúvidas e soluções transparecem quando os quadros são vistos em pares e trios, recurso usado desde os primeiros que ele pintou, como "Natureza-Morta com Compota" e "Frutas e Natureza-Morta com Compota, Maçãs e Laranjas", ambos de 1899, que abrem a exposição no Met.

Curadora do Departamento de Arte Moderna e Contemporânea do Met, Rebecca estuda a obra de Matisse há mais de 20 anos. Ao organizar uma exposição sobre o impacto na arte moderna provocado pelo patrocínio da família Stein (Gertrude, seus irmãos Leo e Michael, além de Sarah, mulher do segundo) a artistas no início do século 20, decidiu investigar por que Matisse estava fazendo duplos naquela época. Daí surgiu esta exposição, elogiada como uma das mais instrutivas sobre o pintor francês ao ser exibida no primeiro semestre deste ano no Centre Pompidou, em Paris, e no Statens Museum for Kunst, de Copenhagen. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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