Mostra em Itu alimenta polêmica sobre Aleijadinho

A cidade de Itu, a 98 quilômetros de São Paulo, recebe a mais completa coleção particular de obras do escultor Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Além de 47 peças atribuídas ao gênio mineiro, estarão na mostra dez esculturas de Mestre Piranga, outra figura ímpar da arte barroca brasileira. Em 2001, parte desse acervo de Aleijadinho, pertencente ao empresário paulistano Renato de Almeida Whitaker, já esteve exposto no Museu Republicano da cidade.O legado artístico dos dois mestres vai contribuir para a preservação do prédio do Colégio São Luiz, construído no fim do século 19 e tombado pelo patrimônio histórico do Estado, com a renda dos ingressos. A exposição Antonio Francisco Lisboa... de mim e dos meus oficiais... fica aberta ao público até 29 de maio, no antigo colégio, atual sede do regimento (Praça Duque de Caxias, 284, Itu, tel. 4022-2967). O tema, propositalmente escolhido por Whitaker, tem estado no centro de algumas polêmicas sobre a obra de Aleijadinho. O colecionador, que se tornou expert em arte barroca por força dos 25 anos que vem dedicando a estudos, pesquisas e observações, sustenta que Aleijadinho não elaborou sozinho sua vasta produção. "Ele tinha uma equipe de auxiliares, seus oficiais, embora fosse o grande arquiteto das obras." Confiando o trabalho mais bruto à equipe, o artista encontrava tempo para executar mais criações. "É bem possível que existam esculturas de sua autoria ainda desconhecidas." Whitaker sustenta sua versão reproduzindo no convite para a mostra um recibo de próprio punho de Aleijadinho, no qual o escultor faz referência expressa a seus oficiais. Ele acredita que Mestre Piranga também se utilizava de auxiliares para a execução do seu trabalho. Entre as obras expostas estarão as imagens em madeira entalhada de Nossa Senhora do Rosário e de Sant´Ana Mestra, tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), além de uma Nossa Senhora das Dores, em estudo para tombamento. Os relicários de São Francisco de Assis e Nossa Senhora do Carmo e três imagens de São José de Botas são outros destaques. Das esculturas do Mestre Piranga, merecem atenção especial a Nossa Senhora da Piedade, em madeira entalhada e policromada com 83,5 cm, e o Centurião Romano, de 92 cm. A exposição resulta de parceria entre o colecionador, o Museu Paulista da USP, a secretaria de Cultura local e o comando do Regimento Deodoro, do Exército, sediado na cidade.

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