Mostra em Gênova exibe fotos de Sebastião Salgado

Trabalhos do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado podem ser vistos em grande mostra sobre a sociedade industrial do século 20, em Gênova, que vai inaugurar em 14 de abril, no Palácio Ducal. A mostra analisa a influência do ritmo das máquinas na vida dos seres humanos. Segundo Germano Celant, curador da exposição, as diversas obras refletem a mecanização do corpo e da mente, em alguns momentos com "a crueza do realismo" e em outras com "uma ironia crítica".O realismo mais brutal fica materializado nas fotos de Sebastião Salgado sobre os mineiros de Serra Pelada, sobre as minas de ferro do Cazaquistão ou sobre os trabalhadores dos poços de petróleo do Kuwait.Esta postura também está presentes no trabalho do fotógrafo canadense Edward Burtynsky, que revela com aspereza as entranhas das gigantescas fábricas manufatureiras da China, onde centenas de empregados trabalham em intermináveis linhas de montagem ou de produção de alimentos."São locais metafísicos, nos quais o corpo humano desaparece e se transforma em uma máquina", declarou Celant.Mais leves visualmente, mas com também grande teor crítico, são as obras de artistas como as do pintor italiano Giulio Turcato, que viveu entre 1912 e 1995. Ele condensa seu compromisso social e político em aquarelas como a que, em tons azulados e com traços geométricos, representa o trabalho em uma mina.A exposição também conta com quadros de Van Gogh e mostra obras de Andy Warhol, como Hammer and Sickles.A luta operária na Itália e o auge da construção e da industrialização do país ficam claros nas imagens de fotógrafos como os italianos Federico Patellani e Enzo Nocera, que capturaram com suas câmeras alguns momentos muito representativos do mundo trabalhista da segunda metade do século 20.No total, são cerca de duzentos trabalhos, entre pinturas, esculturas, fotografias e vídeos de alguns dos maiores artistas do final dos séculos 19 e 20, afirmam os organizadores.A exposição acontece no mesmo ano em que se comemora o centenário da criação de um dos principais sindicatos italianos, a "Confederazione Generale Italiana del Lavoro" (CGIL), cujo secretário-geral, Guglielmo Epifani, destacou hoje o espírito "ambicioso" da mostra."A exposição pretende expor um século de mudanças no mundo trabalhista em um percurso cheio de complexidade e força", declarou o líder sindical. Segundo ele, esta "não é uma homenagem à memória e ao tempo que ficou para trás, mas às transformações do passado que continuam acontecendo e apontam para o futuro".A exposição Tempos modernos: de Van Gogh a Warhol estará aberta ao público de 14 de abril a 30 de julho no Palácio Ducal.

Agencia Estado,

24 de março de 2006 | 13h51

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