Mostra e livro percorrem a arte de Amilcar de Castro

Corte e Dobra. O título da mostra e do livro que estão sendo lançados simultaneamente esta noite na Galeria Marília Razuk resume à maneira enxuta de Amilcar de Castro a ação central da obra do artista mineiro, considerado um dos maiores mestres da escultura brasileira moderna. Desde o início da década de 50 - mais precisamente 1952, quando toma uma faixa estreita de papel e a dobra criando uma sobreposição de planos que se desenham no espaço em torno de um triângulo vazado ao centro - até sua morte, há um ano, Amilcar seguiu explorando todas as possibilidades plásticas de uma ação que se situa entre o superfície plana e o espaço tridimensional. Ou melhor, que constrói o espaço a partir da superfície, dos cheios e vazios, das relações de tensão e equilíbrio.A exposição aberta hoje mostra de forma exaustiva essa trajetória ao mesmo tempo diversa e una. Lá estão presentes em versões pequenas todas as possibilidades de corte e dobra do ferro exploradas por Amilcar ao longo de meio século. "Gosto de coisas retas, diretas, simples; gosto de fazer uma escultura que não deixa restos", dizia ele. As peças não têm título. Cedemos à tentação de dar apelidos, de identificar aqui e ali uma porta, sua Nossa Senhora (como ele próprio chamava uma obra cujo recorte lembra o manto da santa), mas no final resta o conjunto. Tampouco foi possível datá-las todas. Mas isso não importa, já que a lógica da cronologia não predomina nem na montagem nem no trabalho de Amilcar, que algumas vezes o artista retoma décadas depois a mesma forma com a qual trabalhou lá atrás.Segundo Marília Razuk, Amilcar esteve bastante envolvido com esse projeto, chegando a participar de toda a concepção da exposição e executando boa parte das peças. Foram feitas três cópias de cada escultura, que estão sendo vendidas por R$ 9 mil cada uma. Infelizmente ele morreu no meio do processo, fazendo com que a exposição fosse um pouco adiada. O livro, editado pela Cosac & Naify, que além de mostrar cada uma das peças traz também um pequeno ensaio de Tadeu Chiarelli, é uma espécie de homenagem ao artista e foi viabilizado graças ao patrocínio da Clifford Chance do Brasil. O livro traz também uma cronologia do artista nascido em 1920 em Paraisópolis.Amilcar de Castro. De segunda a sexta, das 10h30 às 19 horas; sábado, das 11 às 14 horas. Marília Razuk Galeria de Arte. Avenida9 de Julho, 5.719, tel. 3079-0853. Até 13/3. Abertura hoje, às 19 horas, com lançamento de livro. Editora Cosac & Naify.192 páginas. R$ 65.

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