Mostra do MAM comemora 20 anos do Clube da Gravura

Durante os 20 anos do Clube deGravura do Museu de Arte Moderna de São Paulo, mais de 90artistas brasileiros participaram do projeto criando obras queforam adquiridas por colecionadores. Amanhã, o MAM inaugura emsua Sala Paulo Figueiredo, uma mostra para comemorar a dataredonda da criação do clube e, dessa maneira, reunir eapresentar a diversidade das peças. A exposição tem curadoria de Cauê Alves e MargaridaSant?Anna. São tantas obras que nem todas couberam nas paredesda sala: por isso, foram instaladas mapotecas no centro doespaço expositivo com gravuras que poderão ser manuseadas pelopúblico, além de algumas matrizes. Como diz Cauê Alves, apesar de a mostra ser comemorativae, dessa forma, colocar num mesmo espaço as criações especiaispara o Clube de Gravura sem nenhuma hierarquia ou recortecuratorial, ela não deixa de indicar "as diferentes orientaçõesadotadas pela curadoria do MAM nesses 20 anos". Quando o Clubede Gravura foi fundado, em 1986, por Maria del Carmen Perez Sola criadora, um ano antes, do Departamento de Artes Gráficas domuseu, eram apenas convidados artistas já "consagrados" ou quejá tinham seu nome ligado ao gênero gráfico. Fayga Ostrower,Renina Katz, Maria Bonomi, Tomie Ohtake, Marina Caram, EmanoelAraújo, Odetto Guersoni, Evandro Carlos Jardim, Anna BellaGeiger, Regina Silveira e Carmela Gross são alguns dos nomes quefiguraram nos primeiros times. Aos poucos, afirma Alves, o museu foi convidandoartistas que não tinham a gravura como gênero principal de suaprodução "para experimentá-la", colocando suas criações numa"linha tênue" - muitas saíram do plano ou do suporte papel,transformaram-se em objetos, múltiplos, "obras híbridas", enfim,adentraram na escala do tridimensional. "O grande passo deruptura foi em 1996, na gestão de Tadeu Chiarelli", diz ocurador. Nesse momento, o MAM começou a chamar artistas de "umanova geração que questionava a pureza do suporte", explica Alves- mas, como ele reforça, nunca deixando de convidar os maistradicionais. "Nos últimos dois anos, os próprios sóciosexpressaram a vontade de ver no clube obras que valorizassem oplano novamente. É a questão do gosto do colecionador", lembraAlves. Desse momento de ruptura, o curador cita asparticipações de Iran do Espírito Santo, em 1997, que criou umobjeto em madeira em que aparece a imagem de um coelho, já umaobra conhecida do artista; de Elias Muradi, em 1998; de JoséResende e de Sandra Cinto, em 1999 - todos eles responsáveis porobras tridimensionais. Outro artista responsável por uma"gravura" diferente foi Paulo Climachauska, em 2000: ele fez umaespécie de kit que trazia papel-carbono para o colecionadorfazer o desenho e reproduzi-lo. "O perfil das obras do Clubeestá muito ligado à própria imagem do museu, que começou modernoe foi para o contemporâneo", diz o curador - o MAM também tem,desde 2000, o Clube de Fotografia. Os associados do Clube deGravura pagam anuidade de R$ 2.750. Clube da Gravura: 20 Anos. MAM.Av. PedroÁlvares Cabral, s/n.º, portão 3 do Parque do Ibirapuera, 5549-9688.3.ª a dom., 10 h às 18 h. R$ 5,50 (dom. grátis). Até 10/9.

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