Mostra discute o dia-a-dia da realidade virtual

Técnicas de animação em três dimensões, efeitos especiais, vídeos e computação gráfica são os temas da 3@ Mostra Petrobrás de Realidade Virtual, que começa nesta segunda e vai até 1º de julho, no Centro Cultural Cândido Mendes, no centro do Rio.Participarão artistas norte-americanos como Myron Krueger, um dos precursores da realidade virtual. Já em 1969, ele recorria à computação para compor suas obras. No Rio, Krueger exibirá o seu Vídeo place, uma tela gigante que se apropria da imagem do público.Também norte-americano, Steven Sckolne expõe Surface Drawing, em que explora a criação de objetos tridimensionais aproveitando a interferência do público. Estarão à disposição dos visitantes óculos e luvas eletrônicos que traduzem e geram imagens conforme os movimentos de quem os veste, que, assim, são incorporados à obra.Também brasileiros participam do evento. O videoperformer paulistano Otávio Donasci exibe as vídeo-criaturas de cristal de seu Criystalmask, trabalho que desenvolve desde os anos 80. A base de sua obra é a fusão da linguagem e expressão facial.Alberto Levy apresenta a instalação Ekstasis, elaborada durante seu mestrado em Telecomunicações Interativas da NY University. Com auxílio de dispositivos de realidade virtual e sensores, o visitante pode literalmente nadar no espaço criado por Levy.A mostra Realidade Virtual, entra este ano em sua sexta edição, a terceira patrocinada pela Petrobrás. Cinco delas tiveram curadoria de Rejane Spitz, do Núcleo de Arte Eletrônica do Departamento de Artes da PUC-Rio. "Nos primeiros anos, quando as pesquisas nesta área estavam sendo iniciadas, era como se fosse algo mágico, enigmático e as discussões eram predominantemente acadêmicas", analisa Rejane. Alguns critérios foram então adotados, como o de não ser necessário ao público ter conhecimento técnico, nem fazer da exposição algo fechado à certa faixa etária.A presença da realidade virtual no nosso dia-a-dia como tema deste evento levou em conta a rapidez com que a sociedade moderna tem sido exposta a novas possibilidades tecnológicas. Como a própria Internet: nenhuma mídia levou tão pouco tempo para atingir um número tão alto de pessoas. Popular - Segundo dados do Relatório de Desenvolvimento Humano, da ONU, de 1999, foram necessários 38 anos para o rádio atingir 50 milhões de ouvintes; 13 anos para a TV atingir o mesmo número; 18 anos para os computadores; e apenas 4 para a rede mundial de computadores atingir 50 milhões de usuários.No Brasil, por enquanto, apenas 4% dos brasileiros estão conectados à rede. 82% deles concentram-se nas classes A e B. Para atingir outras parcelas da população, há 10 anos vem sendo desenvolvido o Centro de Computação e Cidadania da Rocinha. O projeto é de iniciativa do padre belga Cristiano Camneramain, que já atuava na favela em parceria com a ONG carioca Centro de Assistência ao Movimento Popular.Recursos foram direcionados para a compra de equipamentos, formação de instrutores e para as instalações de dois andares de um casario, localizado próximo ao centro comercial da favela. Lá, 40 alunos estudam digitação e outros 44 têm aulas de Windows, World e Excel, ao custo de R$ 30,00 por módulo.Centro Cultural Cândido Mendes - Rua da Assembléia, 10, Centro. Tel.: 21 531-2393 ou 531-2401. Centro de Computação e Cidadania da Rocinha - Travessa Leste, 27/4º piso, tel.: 21 322-0647.

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