Mostra de Tiradentes começa com programação variada

A 11ª Mostra de Cinema de Tiradentes começou com uma programação variada, ampla - e um foco, proposto por seu curador, o crítico Cléber Eduardo: Juventude em Trânsito. Assim, a pergunta a ser respondida nesta edição se torna a seguinte: o que é ser jovem no cinema do Brasil? E, não por acaso, em paradoxo apenas aparente, o evento foi aberto por Falsa Loura, de Carlos Reichenbach, um veterano considerado como jovem por todas as gerações. Dessa forma, chamando Carlão, o conceito do festival escapa à banalidade das classificações meramente geracionais.Mesmo que, em certa medida, elas entrem em consideração. Por exemplo, como destaca Cléber, desde o ano 2000 podem ser contabilizados 162 filmes de estreantes em longa-metragem no Brasil. Cifra que, talvez, não tenha paralelo em nenhum outro país do mundo. A se confirmarem esses números, eles apontariam para um índice de renovação sem precedentes no cinema brasileiro. "Mesmo que muitos desses estreantes, por motivos diversos, nem cheguem ao segundo longa", ressalva o curador.Por peculiaridades do cinema brasileiro nem sempre as carreiras profissionais no cinema têm continuidade. Não é incomum uma pessoa fazer um filme, lançá-lo em um festival ou mesmo no circuito e depois sumir do mapa. Ainda mais hoje em dia, com as novas tecnologias que barateiam certo tipo de produção e, portanto, a democratizam. RiscosNesse sentido, os primeiros movimentos de Tiradentes foram animadores. Carlão Reichenbach, o ''veterano jovem'', mostrou a sua mocidade à deriva na figura da falsa loura interpretada por Rosanne Mulholland. Nessa nova imersão do diretor no universo operário, Carlão trabalha com a inversão de clichês, saturando-os a ponto de anulá-los. É assim na melhor seqüência do filme, quando a protagonista é levada para uma fazenda, dança ao luar e à beira da piscina, sem se dar conta de que está entrando numa roubada. Falsa Loura é um belo e irregular filme. Mas é grande em sua irregularidade e, talvez, até mesmo por isso.Outro filme que passou pelo Cine Tenda foi Alucinados, de Roberto Santucci (de Bellini e a Esfinge). E, aqui, a disposição para o risco se mostrou menor. História de um seqüestro-relâmpago no Rio, Alucinados agarra-se à gramática segura do thriller de ação norte-americano e, nela, revela-se competente. Mas pouco mais do que isso. O ''salto de qualidade'' que Santucci pretende dar parece inócuo - um longo psicodrama final em que seqüestrada e seqüestrador explicam suas razões. Corpo estranho em uma trama movimentada, embora um tanto óbvia. Alucinados é realizado com tecnologia digital de boa qualidade. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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