Mostra de SP homenageia a atriz Claudia Cardinale

Quando garota, em Túnis, Claudia Cardinale queria ser menino. "Vivia na rua, brincando e brigando. E não falava." Depois, de tanto forçar as cordas vocais, sua voz adquiriu a rouquidão que se tornou uma das características de sua persona cinematográfica - e que grandes diretores como Luchino Visconti souberam usar tão bem. Claudia, 73 anos, está em São Paulo. Veio para a Mostra Internacional de Cinema, que a homenageia, além de exibir dois filmes. "Era Uma Vez no Oeste", de Sergio Leone, é um marco da tendência chamada de spaghetti western, e passa na versão restaurada, com aquela trilha de Ennio Morricone. O outro é "O Gebo e a Sombra", o novo Manoel de Oliveira.

AE, Agência Estado

01 de novembro de 2012 | 10h05

"Faço uma mãe que vive à espera do filho pródigo. Há uma revelação decisiva sobre o caráter desse filho", ela define sua personagem. E como é trabalhar com um diretor de 100 anos? "104", ela corrige. "Manoel tem mais energia que nós dois juntos. É um esportista. O filme foi rodado em 25 dias. Câmera fixa, tomadas longas, como no teatro. Ele ficava modelando a voz da gente, os gestos. E todo dia, antes de se encerrar no estúdio, ele nadava."

E Leone? "Faço uma personagem tradicional do western, a p... de bom coração. O que mais posso dizer? Sergio filmava a gente em câmera lenta. A câmera parecia perscrutar o rosto da gente. Ele buscava uma música interior, sobre a qual colocava a música de Morricone." Claudia não gosta de viver no passado, mas sabe que pertence a uma época de ouro do cinema italiano. Filmou com os maiores - Luchino Visconti, Federico Fellini, Valerio Zurlini, Luigi Comencini. O próprio Mauro Bolognini, considerado um Visconti menor, era um esteta e ela ama "Caminho Amargo", em que dividia a cena com Jean-Paul Belmondo. "É um filme que permanece inteiro, muito bonito", avalia.

Alguns dos homens mais belos do mundo foram seus companheiros de elenco - Alain Delon, Alain Delon, Alain Delon. "Quando filmamos a cena do beijo em ''O Leopardo'', Luchino (Visconti) me chamou no canto e disse que seria um plano próximo e que ele queria ver minha língua entrando na boca de Alain." Ela conta e ri, como se fosse uma travessura. "Sempre fui pela superioridade feminina. Luchino era gay assumido. Gostava de explorar minha força."

Seus ídolos, quando começou, no fim dos anos 1950, eram Brigitte Bardot e Marlon Brando. OK, ela não vive no passado, mas se arrepende de algumas coisas que não fez. Era frequente atores como Delon e Belmondo tentarem seduzi-la. Na primeira vez que foi aos EUA, Marlon Brando chegou no quarto do hotel com flores e champanhe. Ela o dispensou, mas quando fechou a porta, admite que pensou. "Sono una stronza", como sou burra. Claudia possui um currículo impecável de grandes filmes, mas pode colocar nele, também, que disse não para o homem que encarnava, na época, a sedução de Hollywood. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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