Mostra de figuras bíblicas em cenas de sexo gera polêmica na Áustria

Quadro que exibe apóstolos em 'orgia homossexual' teve de ser retirado da exposição.

Luis Fernando Ramos, BBC

08 de abril de 2008 | 18h45

Uma exposição de quadros que retratam figuras bíblicas em cenas sexuais causou polêmica em Viena, na Áustria, e levou o cardeal da cidade a ordenar a retirada de uma das obras da mostra.Os quadros do austríaco Alfred Hrdlicka estavam expostos no Museu da Catedral de São Estevão, órgão ligado à diocese de Viena, na mostra intitulada "Religião, Carne e Poder".Mas, no último dia 20 de março, o cardeal de Viena, Christoph Schönborn, ordenou a retirada de uma das obras, intitulada A Última Ceia de Leonardo, em que os apóstolos são retratados em uma cena descrita por críticos como "uma orgia homossexual".A medida foi tomada depois de pressões de entidades católicas. No site Gloria TV, por exemplo, o cardeal Schönborn é atacado por permitir uma "blasfêmia no Museu da Catedral, com a exposição perversa de Hrdlicka". O site também critica o fato de o artista ser ateu.Mas, segundo o diretor do museu, Bernard Böhler, a maior pressão veio de grupos católicos dos Estados Unidos.Para Böhler, a polêmica pode ser comparada à que ocorreu na Dinamarca em 2005, quando uma caricatura de Maomé gerou protestos de mulçumanos em todo o planeta."Vejo algumas semelhanças entre os dois casos, especialmente no fato dos protestos serem tão calorosos e até ameaçadores", disse Böhler. "Confesso que não esperava por uma reação dessas em pleno ano de 2008.""Como somos um museu ligado à Igreja Católica, é nossa responsabilidade respeitar os sentimentos dos fiéis, mas também queremos discutir temas polêmicos", acrescentou. "Talvez não tenham compreendido isso.".ViolênciaA obra A Última Ceia de Leonardo faz parte de uma série batizada por Hrdlicka como "Pasolini", que homenageia o cineasta e intelectual italiano. Um outro quadro da série, ainda exposto no museu, retrata um Jesus Cristo crucificado que recebe chicotadas ao mesmo tempo em que é bolinado."Deve ser por seu passado ligado ao comunismo", avalia o diretor do museu. "O fato é que Hrdlicka é um artista fascinado pela violência sofrida por algumas figuras bíblicas." "A violência, inclusive, é um tema recorrente em seu trabalho, como fica claro no Monumento Contra a Guerra e o Fascismo, em frente ao Museu Albertina, aqui em Viena", acrescenta.Alfred Hdrlicka completou 80 anos no dia 27 de fevereiro e comentou apenas que a polêmica que envolve sua obra "é assunto do museu". Mas, de acordo com Bernard Böhler, o episódio acabou fazendo bem ao artista."Ele já tem uma certa idade e alguns problemas de saúde", diz. "Mas tem acompanhado a polêmica e parece até renovado com tudo o que aconteceu."BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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