Mostra de dança se consolida na quarta edição

A 4.ª Mostra Lugar Nômade Dança, projeto realizado pela Companhia Corpos Nômades, encerra-se hoje. Trata-se de uma iniciativa relevante que, na verdade, deve ser, ao mesmo tempo, comemorada e lamentada. Vale celebrá-la por representar um espaço precioso para a circulação da dança e, ao mesmo tempo, há que lamentar que esse papel caiba ao cidadão consciente porque não está sendo devidamente exercido pelos responsáveis pelas políticas públicas oficiais para a cultura em SP.

Helena Katz, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2011 | 00h00

Caso existissem programas permanentes, algum deles poderia ser dedicado aos diferentes modos de circulação necessários para que todos os tipos de dança tivessem a chance de construir seus públicos. Como permanecemos no reino do condicional, do "se", essa atividade acaba sendo assumida por quem poderia estar cuidando somente de seu percurso artístico, mas o desdobra em ações de alcance político que beneficiam outros profissionais da dança.

Cabem nessa descrição duas companhias que utilizam o seu espaço para neles realizar atividades que atendem a demandas comuns de quem produz dança, e que permanecem desatendidas. Tanto João Andreazzi, que dirige a Cia. Corpos Nômades e promove diversas atividades em seu espaço, como Sandro Borelli, que realiza a Mostra (In)Dependente de Dança no endereço ocupado pela cia. que leva seu nome.

Com parte dos recursos obtidos no 10.º edital do Fomento à Dança, a Cia. Corpos Nômades acaba de finalizar a 1.ª Mostra Universitária de Dança (M.U.D.A.N.Ç.A) e dá continuidade a seu outro projeto, que já está na quarta edição. A 4.ª Mostra Lugar Nômade Dança apresenta, neste fim de semana, Marta Soares (Vestígios), Cia. Nósláemcasa (InFLUXOS) e Avoa Núcleo Artístico (Desde o Alicerce Até o Silêncio), os três de São Paulo, e, do Rio de Janeiro, o Núcleo do Invisível (Projeto Bricolage, Cartografia n.º 1: Metamorfose, Corpo, Histeria).

Ontem, foi a vez da sessão Olho Neles, dedicada aos que estão iniciando o seu percurso. Por lá passaram Kamilla Mesquita, de Campinas (Mulheres de Pedra), Barbara Malavoglia (Coração Entreaberto) e Núcleo Destempos (Retrato de uma Fronteira Intermitente), ambos de São Paulo, e Vitrais Grupo de Dança, de Campinas (Abri uma Porta Que, Até Então, Não Estava Lá. De Repente, Caí).

Antes da Olho Neles, foi promovido o Projeto Axial para Dançar, uma "jam musical performática ósseo lubrificante" com o objetivo de unir o "eletrônico e orgânico, bem como o tradicional e o contemporâneo em pastilhas sensoriais", segundo o programa. E na tarde de ontem houve ainda a apresentação do Grupo de Improvisação, dirigido por Cilô Lacava. Hoje, será a vez do Tea-Time/Hora do Chá, ocasião em que os participantes da 4.ª Mostra se reúnem para conversar sobre as maneiras de criar e difundir a sua arte.

A consolidação desse evento atesta a necessidade da sua preservação. Enquanto a dança continuar habitando o reino do "se", em termos de políticas públicas, há que apoiar, com a presença, tais iniciativas.

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