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Mostra de Cinema abre nesta sexta-feira, 18, para o público

Após o luto de 2011, evento, sob nova direção, aponta caminho com o longa-metragem 'No'

LUIZ CARLOS MERTEN - O Estado de S.Paulo,

17 Outubro 2012 | 03h11

É um momento especial da história da Mostra. Por 35 anos, o maior evento de cinema da cidade - precursor da luta contra a censura e do reconhecimento dos filmes de arte como parcela significativa do mercado - teve um timoneiro, e ele foi Leon Cakoff, que morreu no ano passado. A 35.ª Mostra, por mais que Leon estivesse debilitado - morreu uma semana antes -, foi a última que ele produziu. A 36.ª Mostra, que se abre nesta quinta-feira, 17, para convidados - e sexta-feira para o público -, tem nova direção. E a curiosidade é justamente saber como Renata Almeida imprimirá sua marca.

Por 21 anos, desde a 13.ª Mostra, ela viveu à sombra de Cakoff. Foi colaboradora, mulher, escudeira - a mãe de seus filhos. Renata inaugura a Mostra de 2012 sob o signo da política, num momento em que ela dá o tom, na cidade e no País, com o debate para o segundo turno da eleição para prefeito e o julgamento do Mensalão. No, de Pablo Larraín, com Gael García Bernal, é o candidato do Chile à indicação para uma vaga no Oscar. O filme trata da campanha política que deveria decidir sobre a permanência do general Pinochet no poder. O que parecia decidido - o ditador controlava a mídia e mantinha os demais poderes como fachada - ruiu sob uma campanha bem orquestrada, e que o filme recria.

O mote dessa campanha é a volta da alegria ao Chile - a volta da alegria à Mostra, após o luto do ano passado? O cinéfilo paulistano, e de outras latitudes, mal pode esperar para se lançar na maratona de 350 títulos de 60 países, distribuídos por 28 locais de exibição. Na impossibilidade de ver tudo - nem com o dom da ubiquidade seria possível assistir a quase 30 filmes por dia, durante 14 dias -, o negócio é escolher. Há filmes para todos os gostos e tribos, mas alguns são 'imperdíveis'.

A política continuará dando o tom em A Bela Adormecida, de Marco Bellocchio, sobre caso de eutanásia que dividiu a Itália; Depois da Batalha, de Yousry Nasrallah, sobre o movimento popular que levou à queda do regime de Hosni Mubarak; Indignados, de Tony Gatlif, sobre a exclusão social no mundo globalizado; Herança, de Hiam Abbass, que reflete sobre a condição dos palestinos no Oriente Médio; Reality, de Matteo Garrone, que enquadra a Itália pós(?)Silvio Berlusconi num reality show, etc. Os românticos vão encontrar o mais inesperado dos materiais em Liv & Ingmar, de Dheeraj Akolkar, que trata da ligação entre Ingmar Bergman e Liv Ullman. E o público que preza, acima de tudo, a invenção, não pode perder Tabu, de Miguel Gomes, nem La Noche de Enfrente, o último (e póstumo) Raúl Ruiz.

Duas figuras carimbadas da Mostra terão novos filmes na programação - o israelense Amos Gitai (Carmel) e o português Manoel de Oliveira (O Gibão e a Sombra). Como o mestre centenário está proibido de fazer a travessia do Atlântico de avião, virá somente o filme, coberto de elogios. A Mostra não repete a programação internacional do Festival do Rio, mas traz quase toda a Première Brasil, cujos filmes concorrem ao Prêmio Itamaraty. A Busca, de Luciano Moura; O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho; e Jards, de Eryk Rocha, são alguns dos filmes nacionais que você poderá ver. As melhores retrospectivas contemplam os russos Sergei Loznitsa e Andrei Tarkovski. O segundo fornece o cartaz e a vinheta do evento, por meio de imagens recolhidas da exposição de suas polaroides.

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