Mostra confronta estética e utilidade da cerâmica

Reunindo o trabalho de 56 artistas como Máximo Soalheiro, Francisco Brennand, Amilcar de Castro e Ramiro Bernabó, a curadora Sara Carone abre nesta terça-feira Cerâmica Brasileira: Construção de Uma Linguagem.A pesquisa iniciada há dois meses traz 90 peças realizadas a partir de 1973. Isto indica que a exposição não fará um mapeamento aprofundado, nem trará peças produzidas por índios. "Cheguei a separar algumas peças indígenas, mas pensei muito e achei que não precisava ser tão diversificado", explica Sara. "O material é muito vasto e merece uma exposição só com esse tema, como está ocorrendo paralelamente na Oca (um dos Pavilhões da Mostra do Redescobrimento: Brasil +500)". Haverá, no entanto, obras de artistas japoneses e da alemã Elizabeth Nobling, uma das homenageada ao lado da carioca Celeida Tostess.O mérito da exposição está na iniciativa pioneira de discutir o trabalho estético em contraponto com o utilitário - denominação um pouco pejorativa que marca a história da cerâmica - e na mistura de estilos exibida em quatro módulos: A Forma, Utensílio à investigação Plástica, Expressão Popular, O Olhar Armado e O Olhar Poético. Segundo conta Sara, o projeto inicial era fazer um paralelo com o período da cerâmica inglesa contemporânea, tema de uma exposição realizada no começo do ano no Centro Brasileiro Britânico, local que também abrigará as cerâmicas. A idéia foi remodelada e Sara acabou trazendo de uma viagem itinerante por 14 Estados brasileiros - patrocinada pela Cultura Inglesa - um apanhado da cerâmica no País."Minas é o máximo, Ceará é um encanto, Recife é lindo", destaca Sara. Mas foi em Salvador que ela se surpreendeu ao conhecer o trabalho de Naco Salles, artista que sobrevive na capital baiana como catador de papel. Interessada em saber mais sobre o seu estilo expressionista durante suas esporádicas passagens pelo ateliê de Ramiro Bernabó, filho de Caribé, ela marcou um encontro com ele, mas não teve sucesso. Naco não foi. Mesmo assim, Sara comprou uma de suas peças, que estará exposta ao lado da curiosa Serra Pelada, de Inês Cardoso, outro destaque da mostra. "Valorizei tanto o popular quanto o erudito", explica Sara. "Toda a riqueza da cerâmica está nesta miscelânea que também discute a estética e o utilitário." A maioria das obras estará à venda com preços que variam de R$ 70,00 a R$ 12 mil.Cerâmica Brasileira: construção de uma linguagem - Centro Brasileiro Britânico, Rua Ferreira Araújo, 741. Abertura no dia 5 de setembro de 2000, às 20 horas. De segunda a sexta das 10h às 18h, sábados das 10h às 13h. Preço das obras: de R$ 70,00 a R$ 12 mil. Até 30 de setembro.

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