André Lessa/AE
André Lessa/AE

Mostra com obras e réplicas do acervo do Vaticano chega a São Paulo

'Esplendores do Vaticano' será aberta na próxima sexta-feira, 21, na Oca do Parque do Ibirapuera

CAMILA MOLINA - O Estado de S.Paulo,

14 de setembro de 2012 | 03h01

Monsenhor Roberto Zagnoli, padre italiano e curador da exposição Esplendores do Vaticano - Uma Jornada Através da Fé e da Arte, que será aberta para o público na próxima sexta-feira, na Oca do Parque do Ibirapuera, afirma que a grande importância desta mostra é a oportunidade de se ter "contato com a beleza, que nos torna pessoas melhores". Entretanto, seus visitantes terão de pagar ingressos de R$ 44 - ou de R$ 52 (de visita com horário marcado) - para ver as peças de arte sacra e objetos que pertencem ao acervo do Vaticano, conjunto pela primeira vez exibido no Brasil. Diga-se, ainda, que das 200 obras a serem expostas na Oca, cerca de 20% são reproduções. "De fato há muitas réplicas, mas muito importantes, feitas para a preservação dos originais", diz Zagnoli.

Ontem, no auditório do prédio que recebe a exposição, monsenhor Roberto Zagnoli, padre Juarez, que representou a Arquidiocese de São Paulo, e funcionários da empresa Time for Fun, realizadora da mostra, participaram do evento que marcou a abertura de caixas com três peças que integram Esplendores do Vaticano. Um grande compasso de ferro do século 16, usado pelo escultor e pintor Michelangelo Buonarroti (1475-1564) para a criação de sua mais célebre obra, a Capela Sistina, foi a primeira obra apresentada. Depois vieram uma escultura de madeira policromada em forma de anjo, composição atribuída ao ateliê do escultor Bernini (1598-1680), e uma pintura assinada por Guercino (1591-1666), retrato de Cristo com a coroa de espinhos. "Não são as obras mais importantes, mas são significativas do sentido da exposição", afirmou o curador, que começou sua apresentação dizendo que "quando se vê a beleza, se vê Deus".

Números vultosos sempre acompanham exposições como Esplendores do Vaticano, que tem como chamariz o fato de trazer peças consideradas tesouros do legado da Igreja Católica. A mostra perpassa 2 mil anos de história ocidental e quando exibida nos EUA, recebeu 1,5 milhão de visitantes. O projeto da Time for Fun apresentado ao Ministério da Cultura prevê 10 meses de exibição das obras no Brasil, sendo 6 meses na Oca, em São Paulo, e outros 4 meses no Museu Histórico Nacional do Rio. Entretanto, Stephanie Mayorkis, diretora do setor de família e entretenimento da empresa, afirma que somente a mostra em São Paulo está confirmada. O governo federal aprovou a captação de R$ 8.387.649,90 por meio das Leis de Incentivo para a realização da exposição. Stephanie Mayorkis diz que há também um montante de recursos próprios no orçamento da mostra.

Segundo o padre italiano Roberto Zagnoli, foi uma iniciativa do papa João Paulo II, morto em 2005, a de fazer itinerar obras da coleção do Vaticano, que não somente adquiriu peças em sua história, como financiou a produção de pinturas e esculturas referenciais da arte ocidental. A primeira mostra com conjunto exclusivo do acervo ocorreu há 15 anos, em Denver, nos EUA.

Esplendores do Vaticano se conduz por galerias temáticas, entre elas, uma dedicada a Michelangelo - tendo como destaque escultura original da série Pietà - e outra a João Paulo II. Uma das salas ainda vai exibir projeção virtual da Capela Sistina e o curador chama a atenção para a presença de documentos e mapas históricos.

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