Mostra Cinema de Bordas começa hoje em São Paulo

A mostra Cinema de Bordas começa hoje e vai até domingo no Itaú Cultural, em São Paulo. São filmes produzidos por lavradores, faxineiros, auxiliares de enfermagem, professores de kung-fu e por aqueles que estão à margem do cinemão oficial. "É um tipo de cinema que vai além do que a crítica considera bom ou ruim. Simplesmente, não consideram esses trabalhos dignos de estudo. Puro preconceito", diz a curadora da mostra e doutora em cinema para ECA-USP, Bernadette Lyra.

AE, Agencia Estado

22 de abril de 2009 | 09h16

Os filmes selecionados têm diversas características em comum: custos baixíssimos (de R$ 30 a R$ 300), a utilização de equipamentos amadores e a participação de amigos e parentes nos elencos - além de uma dose incrível de improviso e espontaneidade. As histórias giram em torno de extraterrestres, lutadores de artes marciais, monstros e bizarrices em geral. "Tem coisas sensacionais como o Rico Pobre, de Manoel Loreno, o Manuelzinho. Ele é faxineiro e fez um filme que tem momentos de cinema burlesco e Chaplin", fala Bernadette.

A sinopse de Rambú IV - O Clone é uma pérola: um cientista cria um soldado com as mesmas características de Rambú, que se une ao travesti Put Lane, morto no filme anterior da série, Rambú III, o Rapto do Jaraqui Dourado, mas ressuscitado em um culto de umbanda. Os dois vilões partem então para destruir a Amazônia, mas a floresta é protegida pelo Rambú verdadeiro. O diretor de Rambú (assim com acento agudo no ?u? mesmo) é Junior Castro, 43 anos, consultor de vendas e serralheiro desempregado.

O lavrador Francisco Caldas de Abreu Jr, 43 anos, vive em Pedralva, no sul de Minas Gerais. "Trabalho na colheita de café", conta. Em um momento, raro, de ócio, ele teve a ideia de pegar a câmera (dessas de filmar festinhas de aniversário). "Só com gente daqui, sem pagar ninguém, filmei A Dama da Lagoa, uma história de amor que ultrapassa os limites humanos". Abreu também tem outro filme na mostra, O Farol, sobre uma lenda que corre em sua cidade. "Eu falo de um tipo de carro fantasma. Na verdade, ninguém vê o carro, só os faróis", explica.

Outro cineasta curioso é pernambucano José Manoel, 56 anos, que trouxe para a mostra Aventuras De Um Caçador. Trata-se da história de um menino que se embrenha no meio do mato atrás do pai que nunca vi. Do Interior de São Paulo vem a série Insector Sun, uma série que já dura 11 filmes. O criador e diretor é o professor de kung fu Christiano Silva, 30 anos. "Os filmes são baseados naqueles clássicos japoneses de luta. Insector já é um sucesso na internet", afirma. As informações são do Jornal da Tarde.

Mostra de Cinema de Bordas. De hoje a domingo. Entrada Franca. Endereço: Itaú Cultural, Avenida Paulista, 149. Tel: (11) 2168- 1776/1777.

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