Mostra celebra arte de nove "cidades do século"

Uma das principais galerias de arte do mundo, a Tate Modern, em Londres, aberta em maio, inaugura sua primeira grande exposição temporária. Trata-se da mostra Century City: Art and Culture in the Modern Metropolis, ou Cidades do Século: Arte e Cultura nas Metrópoles Modernas. A idéia por trás da mostra é explorar a relação entre cultura de vanguarda e urbanismo, se centralizando na efervescência criativa de nove cidades do mundo, dos quatro continentes, e que representam picos de imaginação em períodos diversos do século 20. E o Rio de Janeiro da década de 50 e 60 é uma delas. A Tate Modern dedicou um andar de suas instalações à frente do Rio Tâmisa, para essa megaexposição, incluindo a gigantesca Sala da Turbina, um dos grandes salões do que um dia foi uma antiga estação de luz do Bankside. Um vale-tudo multimídia foi usado para retratar a explosão de novidades que essas metrópoles modernas produziram no século passado. Incluem aí artes plásticas, arquitetura, cinema, dança, moda, música e teatro. Os organizadores da exposição Century City optaram por reunir objetos de arte como esculturas e pinturas assim como vídeos com cenas da vida nas cidades retratadas no período em que elas agiam como ímã para artistas e agitadores. Num dos maiores salões reservados a essa megaexposição, está a Paris de 1905 a 1915 onde o lado multimídia da Century City foi amplamente explorado. A efervescência cultural da capital francesa, principalmente antes da 1ª Guerra Mundial, traça a evolução das explosivas telas do cubismo e do futurismo, representada por Braque, Delaunay e Picasso. A dança e a música vêm representadas pelos Ballets Russes, enquanto a literatura e a cultura pop entram na forma da poesia de Apollinaire e das revistas satíricas. Ao colorido de Paris, segue-se à sisudez e tensão da parte dedicada à Viena entre 1908 e 1918. Fotos do pai da psicanálise, Sigmund Freud, e de outros intelectuais como Schnitzler e Wittgenstein cobrem as paredes dessa galeria que enfatiza o contexto cultural da época, com a arte expressionista das pinturas de Kokoschka e Schiele, reforçando a introspecção psicológica e a sexualidade explícita do momento. A trilha sonora que recebe o visitante é de Schoenberg. A Moscou de 1916 a 1930 é resumida pela seguinte frase do artista russo Maiakovski: "As ruas serão nossos pincéis - os quarteirões, nossas aquarelas." Aqui se encontra a combinação explosiva de elementos políticos e artísticos da revolução moscovita com o cinema de Eisenstein e Vertov representados por fotos e trechos de filmes. A África entra na forma de Lagos, na Nigéria, onde, entre 1955 a 1970, um grupo de intelectuais lançou a cidade como plataforma cultural do continente. Artistas como Malangatana Ngwenya e Adebisi Akanji simbolizam o movimento de independência cultural pós-colonial e que ganha impacto ao som da música africana de estrelas internacionais como King Sunny Ade e das fotografias que ilustram essa ala. Na parte dedicada a Nova York (1969-1974), os sentidos são tomados por todas as formas de expressão artística. Aqui, a gente encontra pinturas e fotografias de artistas famosos como um retrato do ex-presidente Richard Nixon no estilo inconfundível de Andy Warhol, assim como fotos da cantora Patti Smith, uma das musas do fotógrafo Robert Mapplethorpe. Clipes de figuras de vanguarda do mundo da dança como Trisha Brown em ação assim como de pioneiros do vídeo como Joan Jonas e Yvonne Rainer dividem o espaço com exemplos de inovação musical como o jazz de Ornette Colman e das partituras minimalistas de Phillip Glass e Steve Reich. Tóquio traz clima mais zen, mas não menos impactante. Símbolo do auge da criatividade urbana e cultural entre 1967-1973, a parte dedicada à capital japonesa traz artistas como Yoko Ono e Yayoi Kusama refletindo o impacto do feminismo ocidental na tradicional sociedade japonesa. A caótica e colorida Bombaim/Mumbai da década de 90 (1992-2001) resume a Índia do fim do século passado com a explosão da indústria cinematográfica do país, a Bollywood, e o florescimento de novas formas de mídia. Finalmente, Londres (1990-2001) encerra a exposição com trabalhos de artistas plásticos como Keith Coventry e Sarah Lucas e estilistas como Hussein Chalayan. Na geléia geral que encerra a exposição, Londres entra no novo milênio retomando sua fama de "cool", vivida nos anos 60 com o Swinging London mas com uma diferença: agora, a capital britânica se comporta como o grande caldeirão estético da virada do século 20 para o 21, em que estilos e tendências culturais se fundem, oferecendo terreno fértil para a inspiração de seus artistas. Century City - Art and Culture in the Modern Metropolis - aberta de hoje até o dia 29 de abril, na Tate Modern, Londres

Agencia Estado,

01 de fevereiro de 2001 | 12h40

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