Mostra Arte Futebol abre no Rio

O futebol é a maior referência do Brasilno mundo inteiro (ao lado da música), mas pouco inspirou nossosartistas e historiadores. A exposição Arte Futebol, que seráinaugurada amanhã, na sala Mário Pedrosa do Museu Nacional deBelas Artes (MNBA), é uma tentativa de corrigir essa situação. Amostra, que reúne 16 obras, lança projeto do Museu Internacionaldo Futebol, que será instalado no Maracanã, e o site dainstituição, que estréia na Internet esta semana. Também amanhã,o jornalista Cláudio Vieira autografa o livro Maracanã, Templodos Deuses Brasileiros, contando a história do estádio. "É difícil explicar por que os artistas pouco falaramdo futebol, mas isso acontece também com o carnaval. É o quetemos de melhor na cultura popular e a elite só se apropriadeles pelo veio antropológico", teoriza o artista plástico epoeta Xico Chaves, curador da mostra, ao lado de GiovanaMoriconni. "O interessante é que os artistas amam o futebol e ocarnaval. Talvez não os tenham como tema porque sãomanifestações tão ricas do povão que se bastam, não precisam daarte elitizada para traduzi-los." Os curadores encontraram 16 obras no acervo do MNBA e emcoleções particulares. Os mais antigos são Football, de Timóteoda Costa, ainda com grafia inglesa, e Fla-Flu, de Djanira, rarosexemplos de arte moderna com o tema. Entre os contemporâneos, oesporte é mais freqüente, seja na obra de Rubens Gershman, quehomenageou o Galinho de Quintinho em Zico em Ação, e na de JoãoMagalhães, em um óleo sobre tela sem título, no qual a bola é oúnico elemento figurativo. Ana Durães usou o rosto de Garrinchaem ladrilhos que formam um painel. O escultor Ricardo Basbaumsurpreendeu o goleiro no momento em que agarra a bola, enquantoXico Chaves, com Sport-ação, juntou coadores de café, minerais ea bola. "Nossos principais produtos de exportação", explicaele. Maracanã - O livro sobre o Maracanã é resultado de umavida inteira em função do estádio. Cláudio Vieira, repórteresportivo, nasceu num bairro vizinho, na zona norte do Rio, epassou seus melhores momentos da infância e da adolescência lá.Levou dois anos pesquisando desde a origem do estádio até osdias de hoje. Para Vieira, aos 51 anos, o Maracanã é um estádiomoderno e ainda serve de modelo para os que são construídos. "Éinacreditável que pensaram em demoli-lo, em 1998. Felizmente,optou-se pela restauração", conta Vieira. O livro foi lançado em dezembro de 2000, como brinde daconstrutora Varca Scatena, responsável pela obra, e agora chegaàs livrarias por R$ 60,00. Não é preciso entender de futebolpara apreciá-lo, mas Vieira enriqueceu a pesquisa com detalhesque vão da foto do hipódromo que havia no terreno até os anos 40à planta frontal e os detalhes técnicos do projeto, que lhepermite ter linhas arrojadas, como se estivesse solto no ar. Mas o melhor é a parte em que jogadores brasileiros quefizeram a fama do estádio contam seus segredos. "Temia criarciúmes com essa lista, mas a direção do Maracanã resolveu meuproblema criando um hall da fama, com 51 atletas", explicaVieira. "Faltam alguns nomes da minha lista pessoal mas, nogeral, os melhores estão lá, contando o que ninguém aindasabia." Além do livro sobre o Maracanã, a mostra Arte Futebolconta com a maquete do Museu Internacional do Futebol, quefuncionará sob a arquibancada próxima ao portão 18 do Maracanã.O projeto é da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio deJaneiro (Faperj), que também patrocina a mostra Arte Futebol, evai reunir o acervo do Museu Garrincha, que já funciona noestádio, instalações com momentos importantes do futebol efotografias dos campeonatos internacionais dos quais o Brasilparticipou, incluindo as Copas do Mundo. Reproduções de algumasobras de artes plásticas também estarão lá, tudo distribuído numespaço de 3 mil metros quadrados. Segurança - "Não teremos peças originais porque não hásegurança suficiente no Maracanã. Os clubes se interessam, masficam reticentes quando se fala em empréstimo de troféus", diza curadora do Museu do Futebol, Diná Guimarães. O Museu de ArteModerna (MAM) fornecerá parte do acervo. São fotos que estiveramna primeira mostra sobre o assunto, realizada em 1969, e quehaviam sido publicadas em jornais e revistas. Cópias delascompletam a mostra do MNBA. Lá estão Didi em pleno ar, aarquibancada de Brasil 4 x Espanha 0, na Copa de 1950, cenasantológicas de Mané Garrincha e Pelé e até Charles Miller, oinglês que trouxe o esporte para o Brasil. "A exposição do MAM foi a primeira em que o futebolganhou uma dimensão cultural", explica Diná Guimarães. "Com amostra de agora, realizamos a idéia de Mário Pedrosa de unirarte erudita e popular. Por isso, a realizamos na sala que levaseu nome."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.