Mostra analisa trânsito entre o público e privado sem afetação

Coletiva da Estemp reúne Hannes Norberg, Juergen Staack e Thyra Schmidt, cujas obras destacam a difícil relação com o outro

O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2013 | 02h13

Abrigar artistas tão diferentes dela e conviver diariamente em seu estúdio-galeria com distintas personalidades é um exercício desafiador para a alemã Ellen Slegers, fundadora da Estemp, uma experiência que ela classifica de "forte e por vezes ambivalente, pois temos diferentes hábitos, pontos de vista e costumes". Entretanto, a arte, lembra Ellen, vive justamente da convivência entre diferentes, de um olhar "estrangeiro" que busca o outro, mesmo com o receio de ser reprimido ou rejeitado, observa a artista. Não por coincidência, ela é autora de uma série dedicada à releitura de clássicos da pintura que causaram escândalo em outras épocas (como a Olympia, de Manet, recriada ao lado do filho Rufus na foto maior nesta página).

De fato, entre os três artistas que expõem na primeira exposição coletiva da Estemp, há poucos pontos de contato. Hannes Norberg é um herdeiro da arte povera. Trabalha com materiais baratos para construir obras arquitetônicas que só existem no registro fotográfico. Além delas, Norberg manipula a tipografia de jornais e mangás japoneses, forjando paisagens originais como a da foto acima.

Já o artista Juergen Staack parte de uma imagem real - seja uma paisagem ou uma construção - para apagá-la da memória, literalmente, uma vez que encobre as polaroids com rabiscos. Tal imagem sobrevive na descrição feita por meio de audiofones, mas inacessível a quem não domina a língua estrangeira dos intérpretes dessa paisagem.

Finalmente, Thyra Schmidt incorpora textos às imagens, mas suas mensagens cifradas dificultam o entendimento imediato, embora não afastem o espectador (que vê imagens de ruas e banners enquanto Thyra reflete sobre o amor). Em seus vídeos predomina a mesma e insólita assincronia. /A.G.F.

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