Mostarda, nova editora com espírito jornalístico

Grandes reportagens, das quais se pode dizer que esgotam o assunto, atualmente são raridades na imprensa diária brasileira. Salvo exceções, a cobertura, sempre urgente, de assuntos controversos do dia-a-dia acaba não permitindo grande aprofundamento dos temas. Buscando tratar de questões iminentes da realidade brasileira e mundial, de forma clara e profunda, nasce a Editora Mostarda, que já chega ao mercado com nove títulos de sua primeira fornada, a Coleção Repórter Especial, em co-edição com a Editora Terceiro Nome. O lançamento amanhã, às 19h, na Mercearia São Roque (Jockey Club, portão 1), traz nove publicações escritas por jornalistas, que apresentam, explicam e debatem temas da ordem do dia, como as descobertas científicas na busca da cura para a aids, a polêmica dos transgênicos, a potência (e ameaça) econômica em que a China se tornou, a banalização da violência nas grandes cidades, a ciência e a espiritualidade, o futuro da internet. "Tratamos dos temas com o olhar do jornalista. Foi de propósito, pois temos grande experiência na área. Trabalhamos como em uma redação. Os assuntos são tratados sem julgamento, explorando a vocação didática, informativa do jornalismo. Nosso objetivo é esclarecer e informar", explica Ruy Mesquita Filho, um dos fundadores da editora ao lado de Edgar Gusmão Dias da Silva, Fernando Portela, João Lima Jr., Mary Lou Paris e Samuel Ribeiro Rossilho. Com edição caprichada e preço acessível (R$ 18), a coleção traz livros compactos e de fácil leitura. ´Este é um mercado ainda pouco explorado. Os livros são ótimos, tanto para professores quanto para estudantes e leitores em geral. Já planejamos para abril mais 12 títulos´, acrescenta Mesquita. A coleção não está fechada e o número de títulos tende a crescer ainda mais. ´Já estamos recebendo sugestões. Todo jornalista tem interesse em ser um repórter especial. Depois desta primeira leva, com certeza, vão surgir mais jornalistas interessados em colaborar´, prevê Mesquita. ´E há espaço. Além disso, como são temas atuais, estes primeiros volumes vão sofrer atualizações no futuro´, acrescenta a editora Mary Lou Paris. Mais que o tom didático, vale ressaltar que a coleção tem o sabor do texto jornalístico, com linguagem que vai além do tom meramente expositivo. "Os títulos são charmosos e instigantes. O Fernando Portela, um dos criadores do Jornal da Tarde, que, em seu nascimento primava tanto pelo jornalismo de grandes reportagens, passou horas e horas trabalhando nos títulos e na edição dos volumes", conta Mary Lou. "É um resgate do jornalismo de respiro" finaliza.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.