Moscovis faz papel de hipócrita em "Tartufo"

Está no dicionário. Tartufo é sinônimo de impostor, hipócrita, falso devoto. E ainda existe o verbo tartuficar - enganar alguém com tartufices. Só isso já serviria para dar idéia do vigor das ações do personagem Tartufo, protagonista da comédia de mesmo nome, de Molière (1622-1673), origem do adjetivo. A peça é do século 17, mas sobram tipos como ele nos dias de hoje - na aparência, um severo religioso; na prática, um homem sem escrúpulos, que usa o nome de Deus para auferir benefícios como ascensão social e enriquecimento. Eduardo Moscovis é Tartufo na montagem dirigida por Tonio Carvalho que estréia hoje para convidados na Sala Rubens Sverner do Teatro Cultura Artística, depois de ter feito temporada no Rio e viajado por diversos Estados, do Paraná ao Pará, passando pela Bahia e por diversas cidades do interior de São Paulo. "Aproveitamos o tempo livre nesses lugares para burilar cenas, reensaiar, fazer descobertas. De início era um processo intuitivo, espontâneo, mas a gente passou a fazer isso sistematicamente e o espetáculo cresceu muito", diz Moscovis. Em Tartufo, a crítica ao modus vivendi da aristocracia foi tão ácida que a peça ficou censurada por cinco anos. Tradicionalmente, Tartufo é interpretado por um ator feio ou caracterizado por tal. Sua figura é repugnante. Em sua concepção, Tonio Carvalho rejeitou essa associação entre defeito de caráter e aparência física. "Queria que ele fosse um homem elegante, atraente e charmoso. E ainda assim provocasse asco por sua atitude. Acho essa leitura muito mais interessante e apropriada ao nosso tempo, que supervaloriza a boa aparência".Tartufo - De Molière. Direção Tonio Carvalho. Duração: 1h40. Sexta e sábado às 21h; domingo, às 18h. R$ 40,00 e R$ 50,00 (sábado). Teatro Cultura Artística. Rua Nestor Pestana, 196, tel: 3256-0223. Hoje, só para convidados. Patrocínio: Brasil Telecom

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