Morreu Manuel Natário, personagem de Jorge Amado

Manuel Natário, o mestre pasteleiro de Viana do Castelo que Jorge Amado "transportou" para seu romance Tocaia Grande, morreu na noite de sábado, aos 78 anos."A gastronomia e a sua componente doceira como patrimônio cultural muito lhe devem", diz o presidente da Região de Turismo do Alto Minho e da Confraria dos Gastrônomos do Minho, Francisco Sampaio, num comunicado em noticia a morte de Manuel Natário.Seguindo os passos do pai, que morreu quando ele tinha apenas nove anos, Manuel Natário abriu, em 1950, a sua própria confeitaria na Rua Manuel Espregueira, em Viana do Castelo, que tornou-se quase instantaneamente famosa pelas autênticas "obras primas" que o mestre criava.Francisco Sampaio lembra as bolas de berlim, que classifica como as "melhores do mundo", as empadinhas de lampreia "com massa folhada quanto baste, trabalho artesanal de convento", os rissoles de camarão, os bolinhos de bacalhau, os croquetes de carne, os folhados de carne e de camarão, os vigaristas, a bola de carne com vitela e o "inigualável" pão-de-ló.Um dia, Jorge Amado e sua mulher Zélia Gattai, foram a Viana do Castelo para assistir à Festa d?Agonia, e visitaram o "santuário de Manelzinho Natário" e "ficaram fregueses". Levaram o pão-de- ló para o Brasil, para que o presidente Sarney o experimentasse."Foram muitos os pães-de-ló que emigraram até ao Brasil, expressamente para o Palácio da Alvorada", diz Francisco Sampaio.Jorge Amado fez de Manuel Natário personagem importante do seu último romance, Tocaia Grande, na figura destemida de "Capitão Natário", a que chama de "capitão de doces e salgados, comandante do pão-de-ló, mestre do bem-comer".

Agencia Estado,

20 de outubro de 2003 | 16h22

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