Morre Zanine, um mestre da arquitetura

Considerado um precursor da modernidade na arquitetura e no design, José Zanine Caldas, baiano de Belmonte, ?crescido entre o rio e o mar?, morreu de enfarte na noite de ontem, aos 82 anos, no Vitória Apart Hospital, em Vitória, no Espírito Santo.Era amigo de Lúcio Costa, Oscar Niemeyer. Ele montou maquetes dos prédios que constituiriam Brasília entre outras, para os maiores nomes da arquitetura brasileira. Auto-didata, traçou seu próprio caminho na arquitetura. Primeiro foi diplomado e homenageado pela L? Académie d?Architecture de Paris e só um ano depois, em 1991, foi reconhecido formalmente como arquiteto no País. Zanine propunha com seus objetos, móveis, maquetes e moradias um pensamento ambientalista, tratando suas peças como elos na cadeia ecológica do planeta.Suas maquetes e móveis foram expostos no Museu do Louvre, em Paris, em 1989, recebendo mais visitantes até do que as obras de Picasso expostas nas salas vizinhas. Criou peças como a Namoradeira (conversadeira feita a partir de um tronco de juerana de quase 2 metros de diâmetro). Seus móveis são construções feitas de troncos únicos, de raízes de árvores brasileiras e até de pele de animais, como é o caso de Banco Pele de Boi. Preocupado com a destruição as florestas, Zanine criou a Fundação Centro de Desenvolvimento das Madeiras no Brasil (DAM).Em entrevista à jornalista Ana Weiss, do Estado, em 1999, ele disse: ?Aprendi que a madeira tem duas vidas: a primeira como árvore, a segunda como mesa e cadeira, cama e armário, assoalho e vassoura, gamela e colher de pau, casa e curral, berço e caixão?.

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