Morre, vítima de um derrame, o artista Osmar Pinheiro

O artista Osmar Pinheiro morreu no domingo pela manhã, no Hospital São Camilo, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC) sofrido na terça-feira à noite - ele foi enterrado no Cemitério do Morumbi. Paraense, nascido em Belém, ele tinha 56 anos e deixa seis filhos. Desde 1986 morava em São Paulo e era casado com Izabel Pinheiro, proprietária, ao lado de Regina Pinho, da Galeria Virgilio, onde o artista fez sua última exposição individual, em novembro de 2005. Era também professor na Faculdade Anhembi-Morumbi.Osmar Pinheiro construiu uma carreira de 30 anos, dedicada ao trabalho como pintor e professor. "Nunca incorporei a idéia de uma pintura ´pura´", definiu, certa vez, sobre seu trabalho. "Me interesso por certo campo de investigação sobre o sentido do ato de pintar, como questão subjetiva e, ao mesmo tempo, como lugar histórico determinado." Em sua última mostra essas idéias ficavam bem nítidas. Além de fazer composições construídas a partir do viés geométrico, de um rigor formal, Pinheiro incorporou ao trabalho impressões de fotografias antigas, em preto-e-branco. Outro recurso usado pelo artista foi o de fazer zonas que, criadas com encáustica, davam um aspecto de grande materialidade às obras - a técnica, dificílima, conferia relevos no plano liso da tela. "Osmar Pinheiro tinha um trabalho sólido e coerente, buscando sempre a atualização de suas questões. Era também uma pessoa extremamente gentil e carinhosa", diz o pintor Fabio Miguez.Inicialmente, o pintor paraense foi professor da Universidade Federal do Pará, entre 1973 e 1986. Nesse período, foi também um dos fundadores da Galeria Um. Já em São Paulo, fez mestrado em arte pela Escola de Comunicações e Arte da Universidade de São Paulo e, em 1988, outro ponto forte de sua carreira foi ter recebido uma bolsa da Fundação Guggenheim de Nova York para trabalhar por dois anos em Berlim. Pinheiro participou de diversas exposições - entre as internacionais, a Bienal de São Paulo (por duas vezes, em 1973 e 1992); a Bienal de Cuenca, no Equador, em 1998; e a Bienal de Havana, em 1986. Entre as mostras brasileiras de importância, vale destacar que integrou o Panorama da Arte Brasileira do MAM de São Paulo (1989), e fez individual no Museu de Arte de Ribeirão Preto, em 1999.

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