Morre Scofield, de 'O Homem Que Não Vendeu Sua Alma'

Ele ganhou o Oscar de melhor ator em 1966 por seu majestoso retrato do mártir católico Sir Thomas More

REUTERS

20 de março de 2008 | 08h58

Paul Scofield, reconhecido como um dos melhores atores britânicos de sua geração e ganhador do Oscar por seu papel em O Homem Que Não Vendeu Sua Alma", morreu aos 86 anos de idade, vítima de uma leucemia, disse seu agente na quinta-feira, 19. Scofield, um ator reservado que evitava os holofotes, tinha a força, a voz e a presença para sobrepujar outros atores clássicos. Suas atuações são inesquecíveis - desde o Rei Lear, de Shakespeare, até um barbeiro homossexual na comédia Staircase. Mas o brilho de Hollywood não o conquistou e ele era feliz por não ter alcançado o glamour de seus contemporâneos Richard Burton e Laurence Olivier. "Dos 10 melhores momentos do teatro, oito são de Scofield", disse Burton certa vez. A agente Rosalind Chatto disse que Scofield morreu em paz, na quarta-feira, em um hospital perto de sua casa no sul da Inglaterra. "Ele tinha leucemia e não estava bem há algum tempo", disse ela à Reuters. Ele ganhou o Oscar de melhor ator em 1966 por seu majestoso retrato do mártir católico Sir Thomas More, que preferiu ser executado pelo rei Henrique 8o a trair sua consciência, no filme O Homem Que Não Vendeu Sua Alma. O autor Robert Bolt é o responsável pela adaptação da peça pela qual Scofield ficou conhecido nos palcos de Londres e Nova York. Apesar das inúmeras ofertas de Hollywood, Scofield preferia ser discreto, fazendo mais filmes mas ainda atuando nos palcos, em papéis como Otelo e Macbeth. A idéia de trabalhar nos Estados Unidos não o interessava. "Nunca gostei da idéia de morar ou trabalhar na Califórnia", disse ele. "De fato, nunca estive lá, nem mesmo para receber o meu Oscar, porque estava ensaiando em Stratford." O primeiro papel de Scofield foi aos 13 anos, como a Julieta de Romeu e Julieta, numa peça da escola. Entre seus papéis de sucesso, está o Antonio Salieri em Amadeus, hit de Peter Shaffer sobre a vida de Mozart. (Reportagem de Paul Majendie)

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