Eduardo Nicolau/AE
Eduardo Nicolau/AE

Morre Otto Stupakoff pioneiro da foto de moda

Fotógrafo paulistano, que construiu uma carreira vasta e diversificada, foi encontrado morto. Tinha 73 anos

Ubiratan Brasil, de O Estado de S. Paulo,

23 Abril 2009 | 14h33

Suas lentes focaram grandes nomes como o ex-presidente americano Richard Nixon assim como anônimos vietnamitas massacrados nos anos 1960 - o fotógrafo paulistano Otto Stupakoff construiu uma carreira vasta e diversificada, a ponto de ter sido o primeiro profissional a fotografar uma modelo brasileira em um tempo em que a palavra moda nem era balbuciada no Brasil. Stupakoff foi encontrado morto ontem de manhã, de causa ainda desconhecida, no flat onde vivia, no Itaim. Estava com 73 anos.

 

Uma das fotos recentes de Otto traz a atriz Juliana Paes, quando foi eleita uma das 100 mulheres mais bonitas do mundo pela revista 'People', em 2006. Foto: Otto Stupakoff

 

Apesar da abrangência da obra, o fotógrafo desenvolveu uma estética muito peculiar e um olhar especial sobre as pessoas. De preferência, as anônimas. "Fotografar gente importante não quer dizer nada, porque fazer fotos sensacionais de gente famosa é mais fácil", costumava dizer, justificando ainda seu desinteresse por paisagens ou objetos inanimados. "Meu interesse é o ser humano."

 

Nascido em São Paulo em 1935, Stupakoff realizou as primeiras fotografias ainda jovem, em 1943. A formação profissional começou de fato em 1953, quando ingressou no curso de fotografia do The Art Center College of Design, em Los Angeles, onde estudou durante dois anos. Nesse período, trabalhou também como correspondente da revista Manchete.

 

Em 1957, já de volta a São Paulo, montou seu estúdio no qual foi pioneiro nas fotos de moda - ele clicou a pioneira garota de Ipanema Duda Cavalcanti. Dez anos depois, iniciou périplo pelo mundo, fotografando na Europa e Ásia até se estabelecer nos Estados Unidos, onde se tornou cidadão americano em 1984. Realizou ensaios para revistas de moda como Harper’s Bazaar, Elle e Vogue Paris.

 

Seu faro para as novidades era apurado - em 1958, quando o Brasil vivia importantes mudanças sociais e políticas, Stupakoff registrou um país que deixava de ser arcaico para abraçar o progresso. Captou, assim, o ainda iniciante Tom Jobim. Discípulo estético de pintores como Balthus, ele revelou sua técnica no livro Otto Stupakoff, lançado pela Cosac Naify em 2006.

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