Morre o quadrinista Flavio Colin

Morreu hoje no Rio de Janeiro o desenhista, quadrinhista, ilustrador e argumentista de quadrinhos Flavio Colin, aos 72 anos, por problemas pulmonares. Autodidata, era um dos mais importantes artistas do gênero no País, forçando a fronteira dos comics tradicionais com uma abordagem de técnicas brasileiras, como a xilogravura e a narrativa dos cordéis nordestinos.Apesar de ter começado a carreira ainda nos anos 50, com uma adaptação da radionovela O Anjo para os gibis, Colin trabalhava em publicidade para se manter, e também desenhou revistas eróticas para ganhar a vida. "Fiz muita coisa para sobreviver e manter meu traço na vitrine, para me manter vivo para meus leitores?, disse ele ao Estado, em 21 de maio de 1995.Em fevereiro, Colin recebera o prêmio de melhor desenhista do 18.º Troféu Angelo Agostini. Ele levou o prêmio pelo trabalho Histórias Gerais, álbum com 150 páginas em parceria com o mineiro Wellington Srbek, de apenas 27 anos. A aventura passada no sertão mineiro dos anos 30 teve apoio da administração municipal de Belo Horizonte.Em 1994, também já tinha levado o prêmio HQ Mix de melhor desenhista nacional por um trabalho excepcional, Lampião e a Mulher Diaba. Ele negava a influência do cordel e da xilogravura. ?Não conheço as técnicas da xilogravura e também não tenho o cordel como referência?, afirmou. ?Eu apenas uso muita estilização no meu traço, que é concebido como acadêmico e depois é modificado. Nos últimos tempos, Colin produzia para a editora Nona Arte, do Rio de Janeiro, para a qual desenhou o álbum Fawcett (2000), em parceria com André Diniz. Ele acreditava que os quadrinhos eram um meio formidável de expressão, e fundamental num país que lia pouco. ?Trata-se de um texto enxuto, com imagem auxiliando a narrativa, o que o torna um manancial fantástico a ser explorado.?Flavio Colin foi um dos últimos de uma geração de cartunistas virtuosos, pontuada pelos trabalhos de Jayme Cortez, Julio Shimamoto e ele próprio. Dos três, Shimamoto, o Shima, é o único ainda vivo, e produzindo cada vez mais. Colin chegou a ser distribuído pela empresa de Mauricio de Sousa, o criador da Mônica, mas seu trabalho só teve grande acolhida comercial no início, quando fez revistas com versões de sucessos da TV, como o Vigilante Rodoviário.Personagens dessa natureza, como Vizunga e Sepé, marcaram os leitores de gibis na década de 60, mas ainda assim o cartunista passou mais de uma década esquecido. Nos anos 80, quando retomou sua produção mais sofisticada com A Guerra dos Farrapos (L&PM Editores), com o escritor Tabajara Ruas, já tinha feito mais de mil histórias e ilustrado uma dezena de livros."A Editora Opera Graphica lamenta imensamente a perda deste amigo de tanto tempo e companheiro de tantas lutas. Adeus, Colin. Adeus Mestre Imortal", escreveram, em comunicado à imprensa, os editores Carlos Mann e Franco de Rosa, da Opera Graphica.

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