Morre o prêmio Nobel de literatura Saul Bellow

O vencedor do Prêmio Nobel de literatura em 1976, mestre da melancolia cômica em romances como Herzog, O Presente de Humboldt e outros romances que premiaram e celebraram o destino da alma no mundo moderno morreu nesta terça-feira. Tinha 89 anos.Um amigo de Bellow, Walter Pozen, disse que o escritor estava com estado de saúde muito deteriorado, mas continuava com a mente "afiada" até o final. Pozen informou que a mulher do escritor e a filha estavam a seu lado quando ele morreu em casa, em Brookline, Massachusetts.Bellow foi o mais aclamado de uma geração de escritores judeus que emergiram após a 2.ª guerra mundial, entre eles, Bernard Malamud, Philip Roth e Cynthia Ozick. "A espinha dorsal da literatura americana do século 20 foi formada por dois escritores - William Faulkner e Saul Bellow," disse Philip Roth. "Juntos eles eram Melville, Hawthorne, e o Twain do século 20."Ele foi o primeiro escritor a ganhar o National Book Award por três vezes: em 1954 pelo livro As Aventuras de Augie March, em 1965 por Herzog e em 1971 por O Planeta do Senhor Sammler. Em 1976, ele ganhou o prêmio Pulitzer por O Presente de Humboldt. Neste mesmo ano foi consagrado com o Nobel de Literatura, citado por seu "entendimento do ser humano e análise da cultura contemporânea." No entanto, e talvez devido a tantas premiações, Bellow tinha detratores. Norman Mailer chamou Augie March de "diário de viagem de intelectuais tímidos." O crítico Alfred Kazin, um amigo de longo tempo que se tornou distante, diz que o autor se tornou um "intelectual de universidade". O biógrafo James Atlas acusou Bellow de favorecer "mulheres subservientes em vez de servir sua própria imagem incerta."Antiquado, mas não complacente, o autor lutou para repelir o peso do Nobel, para se aliviar das honrarias da literatura. Ele continuou escrevendo após os 80 anos e, na esperança de tornar sua obra mais aceitável, teve seu romance Um Furto publicado como livro de bolso em 1989.Seus trabalhos recentes incluem O Atual, um romance sentimental publicado em 1997, e Ravelstein, de 2000, baseada na vida de seu amigo Allan Bloom, autor de The Closing of the American Mind. "Se a alma é a mente em sua pureza, clareza e profundidade", escreveu Ozick em 1984, "então o papel de Bellow foi o de restituir a alma à literatura americana."Ele teve cinco esposas, três filhos e, aos 84 anos, uma filha. Ele se encontrou com presidentes (John Kennedy, Lyndon Johnson) e estrelas de cinema (Marilyn Monroe, Jack Nicholson). Ele brigou com escritores (Truman Capote, Norman Mailer), e ajudou outros, notavelmente William Kennedy, a conseguir publicar seus trabalhos.Após lecionar por muitos anos na Universidade de Chicago, Bellow chocou tanto o meio literário como o acadêmico, ao decidir deixar a cidade. Em 1993, ele aceitou uma cadeira na Universidade de Boston.Filho de imigrantes russos, ele nasceu Solomon Bellows em 10 de julho de 1915, em Lachine, no Québec, Canadá. Ele abandonou o "s" de seu sobrenome e mudou o primeiro nome para Saul quando começou a publicar seus escritos, nos anos 40.Quando tinha nove anos, sua família se mudou de Montreal para Chicago, nos EUA.O hebraico foi seu primeiro idioma. Sua convivência com a família tinha elementos de violência (seu pai), de sentimentalismo (ambos os pais) e de humor (todos). Nada ficou pelo não dito.O clássico Bellow era um intelectual absorvido por idéias que ele mesmo ajudou a formar durante os anos da Depressão norte-americana. Enquanto ele poderia lembrar o sofrimento da maioria das pessoas durante aqueles anos, Bellow encontrou ali um excitante e libertário período."Havia pessoas indo às livrarias e lendo livros," ele disse à agência Associated Press em uma entrevista em 1997. "Elas iam às livrarias por que tentavam se esquentar; elas não tinham aquecimento em casa. Havia um grande acordo de energia naqueles dias. As pessoas estavam tendo idéias".Desde o início, Bellow estava decidido a contar uma história americana diferente, a romper com o estilo machista de Ernest Hemingway."Você tem emoções? Estrangule-as" Bellow escreveu em Dangling Man. Enquanto os heróis de Hemingway mantêm os problemas para si, Bellow declarou: "Eu pretendo falar sobre mim.""Há algo terrivelmente inquietante na existência moderna. É tudo o que temos que fazer e tudo o que temos que julgar. É o preço da liberdade: fazer julgamentos, tirar conclusões", disse Bellow.Em dezembro de 1999, a quinta esposa de Bellow, Janis Freedman, deu à luz uma menina, Naomi. Bellow, aos 84 anos e com três filhos homens crescidos, pronunciou: "se eu não tivesse sucesso nisso, tentaria de novo".As obras de Saul Bellow são publicadas no Brasil pela editora Rocco. Confira: A Conexão BellarosaAgarre a Vida Dezembro Fatal Presença de Mulher Ravelstein Trocando os Pés pelas Mãos Tudo Faz Sentido Um Furto (esgotado)

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