Ernesto Rodrigues/Estadão
Ernesto Rodrigues/Estadão

Morre o pintor Gustavo Rosa

Autor de figuras comparadas às criadas por Romero Brito, ele realizou trabalhos para programas como ‘Sai de Baixo’

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

12 de novembro de 2013 | 19h49

Morreu nesta terça, aos 66 anos, no Hospital Albert Einstein, o pintor Gustavo Rosa, que há dez anos lutava contra um câncer no pâncreas. Ele chegou a ser operado no mês passado, mas não resistiu. Pintor popular, de figuras que podem ser comparadas aos personagens criados por Romero Brito, Rosa teve alguns de seus quadros exibidos no programa humorístico Sai de Baixo, da Globo. Nascido em São Paulo, em 20 de dezembro de 1946, o pintor começou sua carreira como publicitário, que abandonou em 1967 para se dedicar exclusivamente à pintura.

Sua primeira exposição individual foi em 1970, na extinta Galeria Bonfiglioli. Depois de estudar gravura com Rudy Pozzatti, no Museu de Arte Brasileira da Faap, onde participou de coletivas, Rosa tentou uma carreira internacional, passando por várias cidades americanas e capitais europeias, chegando a conhecer a França com um prêmio recebido aos 22 anos no 1º. Festival de Arte Interclubes.

Em 1994, ele lançou a própria grife na loja de departamentos americana Bloomingdale’s, usando as técnicas de impressão que aprendeu para vender canecas, roupas de banho e acessórios. Esse lado de publicitário jamais abandonou Gustavo Rosa, que, apesar disso, teve apoio de nomes respeitados da crítica, como o psicanalista Theon Spanudis. O crítico turco apreciava a forma sintética como apresentava suas figuras, normalmente reduzidas a caricaturas. Rosa era mais um ilustrador do que propriamente um pintor, embora esteja representado em algumas coleções de renome.

Suas figuras lembram vagamente o traço geométrico de Ziraldo, que, igualmente, produziu imagens para cadernos escolares e os mais variados produtos comerciais. Isso possibilitou ao artista um contato íntimo com o mundo corporativo, que o convocava com certa constância para o lançamento de produtos. Rosa, bem humorado, jamais abjurou esse lado publicitário.

Há oito anos, o pintor inaugurou o próprio espaço, maior do que muitas galerias comerciais, no Jardim Paulista.

A sintaxe visual de Rosa, embora escape a classificações, tem algum parentesco com a fórmula usada por Botero, de simplificação formal e figuras de gordinhos simpáticos – ou, ainda, animais geometrizados usados na ilustração de cadernos da Tilibra, por exemplo. Outro parente próximo em sua família estética é Aldemir Martins, que também desenvolveu uma fórmula para desenhar gatos e passarinhos, personagens presentes nas pinturas e ilustrações de Rosa. Ele chegou a desenhar um cãozinho para o capô de um mini Cooper, arte customizada feita em 2011.

Críticos escreveram sobre seu trabalho, entre eles Jacob Klintowitz, autor de A Penúltima Visão da Realidade. A Editora Nova Realidade publicou Diferentes Sim, e Daí?, que trata da diversidade cultural e racial. Rosa ainda ilustrou livros de autores como Miriam Portela. Louca por Bichos (Noovha America), que fala da relação da escritora com seus animais, é um dos mais populares. O artista também tentou a escultura, sendo autor de uma homenagem à tenista Maria Ester Bueno. De todas as suas séries, a que mais o identifica é a das banhistas .

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