Divulgação
Divulgação

Morre o pintor Barsotti, aos 96

Morreu na madrugada de ontem, aos 96 anos, o pintor paulistano Hércules Barsotti, um dos principais nomes do construtivismo brasileiro. Barsotti, que há tempos enfrentava problemas de senilidade, segundo a sobrinha Renata, foi enterrado às 15 horas no Cemitério São Paulo. Ele integrou o histórico grupo neoconcreto formado pelo poeta e crítico carioca Ferreira Gullar em 1959, sendo convidado no ano seguinte pelo escultor suíço Max Bill a participar da mostra Konkrete Kunst (Arte Concreta), em Zurique. Amigos da comunidade artística que acompanharam o velório lembraram seu papel como renovador da linguagem pictórica e gráfica ao fundar, em 1954, o Estúdio de Projetos Gráficos com o escultor Willys de Castro, seu companheiro por mais de 50 anos, morto em 1988.

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2010 | 00h00

A galerista Raquel Arnaud, amiga de ambos desde que trabalhava no Masp, nos anos 1960, fez várias exposições dos dois artistas. Barsotti mostrou pela última vez suas pinturas no Gabinete de Arte em 1998, seis anos antes da retrospectiva do artista no Museu de Arte Moderna de São Paulo. "Crescemos juntos profissionalmente, pois tínhamos um convívio diário até sua última exposição na galeria, onde Willys de Castro foi velado", lembra.

O pintor Tuneu, que conviveu com Barsotti e Willys, sendo assistente dos dois, destacou a inteligência cromática do pintor e sua filiação à tradição colorista do alemão Josef Albers (1888-1976). Na época em que foi convidado por Gullar para integrar o movimento neoconcreto, no entanto, o pintor fazia uma pintura de superfície com faixas em diagonal e em preto e branco. Foi só em 1963 que o pintor começou a explorar novas possibilidades cromáticas, sempre fiel à figura do losango, sua marca registrada.

Discreto, Barsotti manteve-se sintonizado com os mandamentos da arte concreta a vida toda, alheio aos movimentos pictóricos surgidos depois, como a arte pop e o neoexpressionismo, embora tenha começado sua carreira nos anos 1940 como um pintor figurativo, adotando a abstração geométrica apenas em 1950. Aluno do pintor italiano Enrico Vio (1874-1960) nos anos 1920, sua formação como artista acadêmico seria importante especialmente na disciplina do desenho e da composição. Na época em que a indústria têxtil começou a incentivar a moda brasileira, nos anos 1960, ele trabalhou como design gráfico e no desenho de estamparia para a Rhodia.

Barsotti há algum tempo andava retirado do circuito de galerias e museus. Na retrospectiva do MAM/SP realizada em 2004, foram exibidas 90 obras do artista, entre elas as de seu melhor período, compreendido entre 1959 e 1963. O artista participou das bienais de 1957, 1958, 1961 e 1965 e foi homenageado com salas especiais em 1987, 1989 e 1998.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.