Morre o intelectual e ativista palestino Edward Said

O professor, crítico literário e porta-voz da causa palestina nos Estados Unidos Edward W. Said, morreu ontem à noite, aos 67 anos, em Nova York. Ele sofria de leucemia há pelo menos dez anos. Nascido em 1935 em Jerusalém, que então era uma parte da colônia britânica na Palestina, Said passou a maior parte de sua vida nos Estados Unidos, onde escreveu incansavelmente em favor da causa palestina e sobre literatura inglesa, sua especialidade.Uma das características mais reconhecidas em Said foi a capacidade de unir os papéis de acadêmico rigoroso e ativista implacável, cobrindo uma ampla gama de assuntos e interesses. Daí ser chamado, oportunamente, de "palestino renascentista". Tem um longa lista de livros publicados. No Brasil, saíram Cultura e Política, Elaborações Musicais, Reflexões sobre o Exílio e Outros Ensaios, e, talvez sua obra mais conhecida, Orientalismo. Nesta obra, traduzida mais de 30 idiomas, Said defende a tese de que acadêmicos ocidentais que se debruçaram sobre temas orientais serviram como peça-chave do processo de dominação por parte da Europa e Estados Unidos.O intelectual assumiu o papel de ativista durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e nunca mais abandonou a causa palestina. Foi confidente de Yasser Arafat e o ajudou a formular seu famoso discurso na ONU, em 1974. Morando nos Estados Unidos, foi também consultor do governo para a questão, fazendo a ponte entre a Casa Branca e organizações palestinas. Defendia a tese de um único país para judeus e palestinos e condenava veementemente o governo israelense pelo tratamento dispensado a seu povo.No ano passado, foi premiado com o troféu Príncipe de Astúrias da Concórdia 2003, junto com o maestro israelense Daniel Barenboim, também um porta-voz da tolerância entre judeus e palestinos. Ambos apaixonados por música, criaram em 1999 uma orquestra aberta a árabes e israelenses, a West Eastern Divan. Lançaram ainda o livro Parallels & Paradoxes, reunindo conversas sobre tema.

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